Não sei se só acontece comigo, mas sempre fico meio perdida quando entra uma nova estação. E isso não acontece só porque terei que rever os casacos que deixei no armário, mas porque existe aquele déjà vu sobre o que vou usar ou não. A dinâmica do mundo da moda não é algo tão fácil de entender – e nem sei se me atrevo a explicá-la aqui -, mas depois das enxurradas de informação que leio nas revistas, nos blogs e afins sinto um certo desconforto com as roupas que tenho no armário porque elas não se encaixam mais naquele padrãozinho que vi em todos os lugares possíveis. E aí me veio a pergunta desta semana: tem como se sentir confortável com tudo isso?

A resposta para esta pergunta não é tão simples, mas cheguei a duas conclusões que gostaria de compartilhar com vocês. O primeiro ponto é: para se sentir confortável é preciso se conhecer. E na trajetória que tenho feito no último ano, descobri que não me conhecia o suficiente para me sentir confortável comigo mesma. Sabe quando você sente que há algo errado, mas nem sabe o porquê? Cheguei à conclusão de que é o sinal de alerta para quando você está se perdendo e quando você não se conhece, não é possível barrar e decidir aquilo que não cabe para você.

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As pessoas têm dessas manias de achar o que fica bem ou não para as pessoas. Dar pitacos não é pecado e, particularmente, já dei muitos para as minhas amigas. A questão é que quando a gente não sabe para onde está indo, qualquer coisa serve. Pode ser clichê, mas já vi muita gente que se veste de forma estranha por palpite dos outros. Triste, mas é a realidade.

E aí vem o segundo ponto: você precisa saber o que quer com aquela roupa. Quem aqui já vestiu roupas que não diziam nada a seu respeito? Considero o corpo nu como uma tela em branco e a roupa como aquelas pinceladas de aquarela que vão criando todo um cenário, uma história e quem sabe até um mistério sobre cada um de nós. Se conhecer permite que a gente escolha roupas e tantas outras coisas que contem histórias reais sobre quem somos e a que viemos!

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Aquela historinha que contei sobre falarmos pelos cotovelos quando consumimos moda se torna muito mais efetiva e consciente quando começamos a sair da casinha do preconceito e explorar as possibilidades de construir quem somos e como nos apresentamos para o mundo. Os consultores de imagem estão aí para mostrar, por A+B, que as boas histórias que você conta sobre você podem te levar mais longe do que se pode imaginar.