Quando o assunto é viagem de trem e luxuosas litorinas o pensamento nos remete, imediatamente, aos encantadores destinos europeus e suas variadas possibilidades de turismo ferroviário. O que poucos brasileiros sabem é que o país oferece opções adoráveis e muito charmosas de viagens deste gênero, e uma Litorina de Luxo eleita pelo “The Wall Street Journal” – jornal de maior circulação nos Estados Unidos – como um dos três passeios de luxo sobre trilhos mais interessantes do mundo.

A Litorina de Luxo, única no país, é um dos trens operados pela Serra Verde Express, no Paraná, e percorre uma ferrovia centenária e especial. Com mais de 130 anos de idade, a estrada de ferro é considerada umas das cem obras de engenharia mais importantes do Brasil e está localizada em uma das porções mais preservadas de Mata Atlântica do país. Túneis, pontes, picos e montanhas ligam Curitiba ao litoral do estado e é neste cenário que circulam a Litorina de Luxo e o Trem da Serra do Mar, dois dos passeios turísticos mais procurados no Paraná.

O ponto de partida da viagem é a Estação Ferroviária de Curitiba e o destino final é a histórica cidade de Morretes. A beleza do trajeto torna-se exuberante em trechos que passam pelo conjunto montanhoso do Marumbi, Cascata Véu da Noiva e tem como ápice a Ponte São João, inaugurada em 1885, e que até hoje tira o fôlego dos viajantes que passam pelo seu vão livre de 110 metros de altura.

Pouco mais de três horas depois acontece a chegada a Morretes, momento em que o passeio ganha status gastronômico em um almoço tradicional com o famoso “barreado” prato típico da culinária local. O nome vem da expressão “barrear”, de panela de barro. Trazido pelos portugueses que chegaram ao estado no século XVIII, até hoje é preparado com as mesmas características e temperos de 300 anos. Elaborado com pedaços de carne vermelha como patinho ou coxão mole e toucinho e cozidos por cerca de 12 horas em panela de barro vedada, o prato acompanha farinha de mandioca e costuma ser apreciado com bananas assadas ou fritas.

Após o almoço, os passageiros embarcam em um city tour pelas cidades de Morretes e Antonina. A primeira, fundada no início século XVIII, preserva a arquitetura antiga dos seus casarões e igrejas como a Nossa Senhora do Porto, padroeira da cidade e fundada em 1849, e a de São Benedito, construída em 1865 para que escravos e negros pudessem frequentá-la livremente. Na segunda parada da viagem, em Antonina, os viajantes conhecem a cidade que foi fundada em 1714, e no início de 2012 obteve o reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico de Artístico Nacional (IPHAN) que decretou o tombamento do seu centro histórico. A região foi uma das primeiras áreas exploradas pela Coroa Portuguesa no Sul do Brasil por ser considerada estratégica na busca por índios e metais preciosos. Atualmente, Antonina tem forte vocação cultural, realiza o carnaval mais famoso do Paraná e mantém viva a tradição das serestas.

O retorno a Curitiba acontece ao final da tarde, com uma viagem pela encantadora Estrada da Graciosa, antigo percurso dos tropeiros e cuja construção, em meio à mata atlântica, data do século XIX. Orgulho dos paranaenses e um dos símbolos do estado, a Graciosa foi declarada pela UNESCO, em 1993, área de Reserva da Biosfera por conta das abundantes fauna e flora locais. A paisagem exuberante enche os olhos e todos os sentidos dos turistas que, no retorno à Curitiba, se despedem da estonteante natureza com um belo espetáculo de pôr do sol.

Fotos: Patryck Madeira / Curitiba Cult