Em República Paradiso, romance de estreia do escritor e músico Sergio Lang, mortes, mistérios e uma imbricada investigação sobre um passado que remonta à ditadura militar brasileira e, mais distante, ao “Ciclo do Ouro” de Minas Gerais. Eis os elementos que, somados à efervescência das repúblicas estudantis, ao tráfico de obras de arte, às irmandades religiosas, ao congado, ao celibato e outros meandros da Igreja, dão sabor ao caldeirão literário de referências e histórias que se cruzam e se entrelaçam.

A obra será lançada hoje (13 de novembro), às 19h30, na Livrarias Curitiba do ParkShopping Barigui e a entrada é franca.

Enredo

Dois crimes. Em 1974, na cidade de Ouro Preto, após a Festa do Doze (de Outubro, em que se comemora o aniversário da Escola de Minas, fundada em 1876 a pedido de D. Pedro II), o corpo do menino Bentinho é encontrado diante da Igreja de Santa Efigênia: nu, mutilado, o rosto pintado de preto — à maneira do que teria ocorrido nos tempos de Chico Rei, lendário escravo congolês que virou monarca na antiga Vila Rica dois séculos e meio atrás. Na manhã seguinte, um panfleto apócrifo e uma acusação de pedofilia levam o progressista e culto padre Anselmo Grimaldi à prisão. Pela madrugada, uma turba ensandecida cerca a cadeia e arrasta o religioso ao Morro da Forca, onde é sumariamente executado.

Vinte e cinco anos depois, em 1999, o geólogo e engenheiro de minas Thomas Dapieve — o Tomate dos tempos de faculdade — retorna ao Brasil para rever a família e festejar o jubileu de prata de sua formatura na Escola de Minas, conforme pactuado com os antigos companheiros da República Paradiso: Caveira, Pinduca, Soneca, Geleia e Nabunda. Anfitrião do esperado encontro, refugiado durante o regime militar, o jornalista Flávio Campos, o Caveira, investiga as intrigantes mortes de Bentinho e do padre Anselmo em busca de indícios para um artigo em O Inconfidente. Mexer no passado, contudo, pode ser perigoso.

Junto a seus colegas de república e da amiga americana Geena Brown, uma despachada professora da Universidade de Columbia, em Nova York, e amante da arte barroca, que viajara com ele para o Brasil, Thomas, ou Tomate, percorre as ladeiras de Ouro Preto e Mariana em busca da verdade por trás daqueles fatos nebulosos — ainda que difícil e dolorosa. Uma aventura tensa e reveladora, na qual, em meio à atmosfera que cercava tais crimes e a uma sucessão de segredos e surpresas, a rica cultura mineira é colocada à mostra: o esplendor de Vila Rica, o papel das irmandades religiosas, a escravidão e nossas raízes africanas, a genialidade de Aleijadinho e Mestre Ataíde, aspectos e personagens da Conspiração Mineira, entre outros resgates sobre o período.

República Paradiso é lançado nas Livrarias Curitiba – Serviço

Quando: 13 de novembro (quinta-feira)

Horário: 19h30

Onde: Livrarias Curitiba do ParkShopping Barigui  (Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600)

Ingressos: gratuito