“Eu já fui muito vaidosa (risos), mas sempre procurei por aquilo que ficava bem em mim, não só pelo que estava na moda. Tudo que me acentua, me eleva, eu uso e compro. Agora, Curitiba me deixa perdida, mesmo nascendo e morando aqui. A Rua XV, por exemplo, recebeu muitas culturas e inovações que não consegui acompanhar.”
Teresa Maria

A moda foi mais detalhista e simples. Pura, para falar a verdade. “Não conseguimos mais escolher o que vestimos, pois passamos a usar o que nos traz status”, disse a atriz Jessica Lange, quando questionada sobre sua roupa no Globo de Ouro de 2013. Talvez, ela esteja certa.

O significado da moda, hoje, pode ser perdido facilmente. “Porque me sinto bem” seria mais tranquilo de ouvir do que um simples “usei, porque a celebridade X usou”. E o curioso é o grande número de pessoas que se opõem a essa afirmação. A justificativa é simples: cada um usa o que quer. Mas que “querer” é esse? Lembre-se que existe um planejamento de consumo para o tal produto. E, então, repito: que “querer” é esse?

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O sábado (14) foi ensolarado. Não só no sentido literal, mas pelas pessoas que pude observar na Rua XV de Novembro, em Curitiba. Elas tinham vida. E ter vida é diferente de existir.

Por trás das pérolas, brincos verdes e batom vermelho, Teresa Maria, uma das minhas novas ídolas do street style, deixou claro que o culto à beleza não deveria ser tão importante, pois, sim, o tempo passa e, em determinado momento, não há mais razão para usar o que está na moda, mas para dar valor ao próprio bem-estar, à personalidade.

Curitiba, não se surpreenda, foi, na década de 1950, a capital da moda brasileira. A Casa Edith e a Casa Coelho, por exemplo, estão aí para confirmar essa história. As raízes da moda da cidade são fáceis de serem descobertas. Os homens, principalmente, possuem uma “mania” de combinar sapato, meia alta e calça. É só parar na XV e observar. Além do trio, quem também soma charme no figurino é o relógio no pulso, os óculos dos mais diversos modelos, os botões dourados, a boina em harmonia com a camisa e a bengala bem envernizada.

“Estar na moda” é fazer parte de uma cultura. Não confunda com tendência, pois esta é passageira. Essas pessoas fotografadas, independentemente da sua opinião, trazem valores e detalhes que acompanharam e “resistiram” às diversas gerações. Isso tudo, é claro, não significa que você, leitor, deva deixar o “boné da aba reta” de lado, mas que faça com que essa peça marque e seja parte do seu “eu”, não da sociedade.