Quando eu estava doente de amor, me falaram que ia passar. Na mesma hora eu encarei a pessoa que havia me dito tamanha besteira e pensei: tá, e aí? O que é que eu faço enquanto a dor não passa?

Que vai passar a gente já sabe. Nenhuma dor de amor é eterna, nenhum amor fere tanto a ponto de impossibilitar que um outro venha para ocupar o mesmo espaço. A dor, em si, é efêmera. Hoje ela pode ser o pior dos sentimentos, sim, mas ali na frente talvez a gente até dê risada. E aí chega a pergunta: eu sofri por conta disso?

O que ninguém sabe é como amenizar a dor quando ela ainda está aqui, latente. Quando ela é tudo aquilo que nos puxa para baixo, nos faz desacreditar nessa parada louca que alguém resolveu chamar de amor. É uma dor diferente, não tem remédio ou chá milagreiro. E é aí que a gente percebe como o tempo pode ser cruel.

O tempo é inimigo: ele mostra tudo aquilo que, exatamente naquele momento, nós não queremos ver. A troca, a falta, a saudade, ou seja lá qual for o motivo do rompimento, parecem gritar na sua cara e você não grita de volta. Mas, lá no fundo, você quer dizer que está lá. Ainda. Esperando a hora que tudo isso passe.

E dói. Dói muito. Talvez só digam pra gente que passa porque assim nós nos apegamos à esperança de que um dia a dor vá embora, e aí estaremos prontos pra recomeçar. Primeiro arde, depois cura. E o tempo que fica entre um estágio e outro é necessário. Porque ali na frente, bem quando tudo costuma passar e a dor é só uma lembrança ruim de ontem, você percebe que se tornou uma pessoa completamente diferente.

E é por isso que a dor existe.