Quando imaginei esta coluna, me peguei pensando: por que precisamos falar sobre feminismo? Comecei, então, a pensar na minha trajetória enquanto mulher. Sou jovem, mas não pude deixar de lembrar que, como menina “crescida no interior”, já sai falando absurdos como: “aquela ali engordou porque está tomando pílula, vagabunda” ou “mulher tem que se dar o respeito” ou “se sabe fazer um filho, que assuma!”.  Não sei dizer em que ponto da curva eu comecei a perceber o tamanho das abobrinhas que falava. Sempre fui muito pentelha com as coisas que me incomodavam na sociedade, mas acho que demorei demais para perceber que o machismo é uma forma de opressão tão opressora (perdoem o pleonasmo) que fazia com que eu mesma me oprimisse e fosse uma opressora de outras garotas – que louco, não?

Vejo ainda, principalmente nas redes sociais, absurdos como os que eu pensava e replicava como uma papagaia do patriarcado. E nós precisamos MUITO falar sobre isto. Afinal, eu consegui perceber que fazer sexo não te torna uma vagabunda, ninguém tem que se dar o respeito e sim ser respeitado e que a questão do aborto vai muito além do “saber o que estava fazendo” ou não. E isso só se consegue com muito papo, muita discussão e leitura. Portanto, esta coluna serve para isso: discutir os temas que nos tiram do sério, que nos unem e que nos diferenciam. Afinal, se ainda temos que ler estas barbaridades que descrevi no primeiro parágrafo é porque precisamos sim, falar sobre feminismo. Então, joga os seus preconceitos pra lá, coloca a roupa e o batom que você quiser e vem comigo mudar isto aqui. Porque, enquanto não formos respeitadas e livres de verdade, não podemos parar.

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