Seguindo o cronograma de lançamentos semanais da Netflix, podemos estar sempre esperando um filme original a cada sexta-feira. O último a chegar foi a comédia satírica Pequeno Demônio, resgatando um gênero que se perdeu há muito tempo. A produção não tem nada de muito inovador ou brilhante, mas é entretenimento suficiente pra ocupar graciosamente alguns minutos despretensiosos.

A trama acompanha Gary (Adam Scott), recém-casado com Samantha (Evangeline Lilly) e precisando lidar com a nova vida como padrasto. O grande problema é que o garoto em questão nada mais é do que o novo anticristo, filho do demônio. Agora ele precisa lidar com todas as problemáticas criadas pelo enteado e provar que é capaz de ser um bom padrasto.

O que temos aqui é uma pegada humorística que faz paródia de alguns títulos do terror e clichês sempre presentes. Para os mais saudosistas o grande exemplo neste estilo é o maravilhoso ‘Todo Mundo em Pânico’, que não se importa em ser escrachado e até mesmo “idiota”. Em Pequeno Demônio não há tanta piada sem noção, se apoiando mais em uma trama de simbologia exagerada tendo como alvo principal “A Profecia”.

O diretor e roteirista é o novato Eli Craig, responsável pelo similar ‘Tucker e Dale Contra o Mal’. Indo agora para a sua segunda produção no mundo dos longas-metragens, há muito o que ser aprimorado no seu estilo. O roteiro até é bem conectado e segue uma linha comum no cinema de desenvolvimento de arco. Não é um filme para surpreender e sim apenas agradar, Craig sabe disso e desta forma sem abusos o faz. Falta uma profundidade maior em tudo o que vemos, o que causa avanços na trama de forma apressada.

A dupla protagonista existente em Scott e o garotinho (excelentemente interpretado pelo assustador e fofo Owen Atlas) funciona bem demais. O ator já é conhecido das comédias e possui o tom necessário para tal, carregando a obra nas costas. Enquanto Atlas surge e impressiona pelo cenário imposto ao seu entorno, gerando boas cenas. Se Lilly não emplaca, não podemos dizer o mesmo do grupo de padrastos. É deles que boa parte das piadas válidas saem, liderados por Bridget Everett, fica a sensação de que deveriam ser mais aproveitados.

Pequeno Demônio nada mais é do que uma amostra dos desafios encontrados na relação padrasto e enteado. Funciona de forma simbólica e peca ao abordar pouco o que realmente deveria ter destaque. Proporciona algumas boas risadas e entretém de forma fácil, porém não parece ser suficiente. É um filme que mesmo possuindo boas raízes para algo interessante, prefere se manter no simples e isso é letal hoje em dia.  Nada além de um passatempo bacana que acabará se tornando esquecível.

Nota: 5,5

Trailer – Pequeno Demônio