Sempre que chega esta época do ano é impossível não ficar nostálgico. Além, é claro, de refletir, em silêncio, sobre o que aconteceu naquele final de semana há 21 anos atrás.

Amanhã, dia primeiro de maio, é mais um feriado. Mais um Dia do Trabalho onde muitos trabalhadores irão descansar. Poucos sabem o real significado deste dia, marcado para homenagear uma manifestação ocorrida em Chicago que levou 500 mil às ruas pedindo melhores condições de trabalho e salários. Protesto esse que deu início a uma greve geral nos Estados Unidos em 1886.

Mas, para os fãs de automobilismo, em especial de Fórmula 1, o primeiro dia do quinto mês do ano marca o gran finale de um espetáculo de horrores. Um circo trágico que assolou a Fórmula 1 e mudou os destinos da categoria para sempre, no quesito segurança.

 

O vôo de Barrichello e o começo de tudo

O vôo de Barrichello e o começo de tudo

Tudo começou com um grave acidente nos treinos da sexta-feira, dia 29 de abril. Rubens Barrichello, então no seu segundo ano de Fórmula 1, batia na Variante Baixa. Uma imagem chocante. Felizmente, o brasileiro saiu apenas com o braço quebrado e o nariz bastante machucado. Nada de mais grave.

Hoje, 30 de abril, em 1994, morria o piloto austríaco Roland Ratzenberger, vítima de um grave acidente na curva Villeneuve nos treinos oficiais para o Grande Prêmio de San Marino. A primeira morte na categoria, então, em oito anos. E em 12 num final de semana de corrida.

Poucos são os que se lembram quem, na ordem do dia, era aquele austríaco de 34 anos. Aqui e aqui um pouco das lembranças de quem era Ratzenberger.

O prenúncio de um final de semana trágico. Morria Ratzenberger.

O prenúncio de um final de semana trágico. Morria Ratzenberger

Ironicamente, no dia seguinte, o austríaco seria mera estatística. Na sétima volta daquela corrida, Ayrton Senna, brasileiro, tricampeão mundial de Fórmula 1, batia sua Williams de número 2 violentamente contra o muro da curva Tamburello. Sua morte seria anunciada horas depois, causando uma comoção poucas vezes vista na história brasileira.

Se sobre Ratzenberger não há muito material ao acesso dos brasileiros, sobre Senna não faltam livros, revistas, vídeos… Deste vasto acervo, destaco duas obras importantes e que dão uma ideia geral para compreender um pouco do que representou Senna para a torcida e o automobilismo.

O documentário Senna, dirigido por Asif Kapadia e lançado em 2010, resume em quase duas horas o essencial para quem quer conhecer o fenômeno Senna. Respaldado por depoimentos de pilotos e jornalistas, o filme tenta resumir a carreira do tricampeão. Tenta, é verdade. Afinal, fica quase impossível sintetizar em tão pouco tempo uma história tão vasta e vitoriosa.

 

Biografia definitiva sobre o tricampeão mundial

Biografia definitiva sobre o tricampeão mundial

 

Para quem quer ir mais a fundo, é indispensável a leitura de Ayrton – O herói revelado. Lançado em 2004, ano em que a morte de Senna completava 10 anos, a biografia de Ernesto Rodrigues relata, com minúcias, histórias raras da carreira do tricampeão. Dando ênfase a um lado que a grande mídia muitas vezes ignorava: o ser humano por trás do piloto. Foi graças a este livro que desmistifiquei muita coisa em relação ao “fenômeno” Senna, cuja imagem se assemelhava muitas vezes a de um semideus.

O livro de Ernesto Rodrigues traz relatos interessantes, desvenda polêmicas e conta com um trabalho minucioso de depoimentos que foram colhidos por anos. Tudo para detalhar rituais, comportamentos e explicar porque, afinal, tantos brasileiros ainda idolatram o tricampeão falecido há 21 anos.

Desde então, apesar da gravidade de alguns acidentes, nenhum piloto perdeu mais a vida guiando um Fórmula 1. Talvez esse tenha sido o maior legado daquele final de semana trágico que tirou a vida de dois homens. Um jovem austríaco promissor e um tricampeão consagrado.