Osmar Santos vem aí. Garoto bom de bola!”. Essa era uma das vinhetas que anunciava mais uma transmissão futebolística na Rádio Globo de São Paulo durante os anos dourados da carreira do locutor que marcou época no rádio esportivo brasileiro.

Famoso pelos seus bordões como “ripa na chulipa, pimba na gorduchinha”, “Tiro-lirolá, Tiro-liroli”, Osmar Santos foi um dos grandes nomes da locução esportiva. Aqui em Curitiba ficou mais conhecido pela participação nos comícios das diretas em 1984 e nas transmissões pela TV, quando cobriu as Copas do Mundo de 1986, pela Globo, e a de 1990 pela Manchete. Além de suas experiências como apresentador de programas de entrevistas e game shows.

O que pouca gente imagina é que o “pai da matéria”, como o cronista esportivo é conhecido, também teve sua participação no cinema. Em um filme tão insólito que são poucos os que conhecem.

O Efeito Ilha” de Luís Alberto Pereira foi lançado em 1994, ano de Copa do Mundo. Mas por que ele não teve toda essa divulgação no Brasil? Simplesmente porque o cinema nacional, naquela época, andava muito mal das pernas. Era a chamada época do cinema da retomada, com produções escassas e tempos de sérias restrições orçamentárias. Nem por isso o filme deixa de ter o seu valor.

A história de João William (interpretado pelo próprio diretor), um técnico de TV que sofre um acidente, é atingido por um raio e passa a ter sua vida transmitida 24 horas por dia para todo o país em um ano de mundial é, no mínimo, curiosa. Qualquer semelhança com um certo reality show por aí é mera coincidência. O filme questiona a influência que o brasileiro sofre da televisão como principal meio de informação e entretenimento. Para quem quiser saber mais sobre o filme, convido à leitura de um texto interessante aqui.

Tanto que, desse filme, nasceu a ideia de uma história muito mais conhecida: O Show de Truman, com Jim Carrey.

É um filme raro por dois motivos. Primeiro pelas poucas cópias em vídeo disponibilizadas. Para se ter uma ideia, assisti a ele na insólita TV Jornal do Brasil no distante 2007.

O segundo motivo é porque esta foi a última produção da qual Osmar Santos participou. No final de 1994, o locutor sofreu um acidente que comprometeu sua capacidade de fala. Justamente seu instrumento de trabalho. Hoje, Osmar Santos pinta quadros. Mas sempre será lembrado como o grande locutor que embalou, de modo único e descontraído, transmissões inesquecíveis. Entre as diversas, a do tetra campeonato. O único título mundial brasileiro que Osmar Santos narrou.