Teve início nessa quarta-feira (7) a sexta edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. O festival exibirá, ao longo de nove dias, 125 filmes selecionados entre mais de 2700 inscritos. As sessões são realizadas até a próxima quinta-feira (15) no Shopping Crystal e Shopping Novo Batel, com ingressos no valor de R$10 a inteira e R$5 a meia.

Neste ano, a proposta do festival é refletir o contexto sócio-político e cultural do Brasil atual, onde – palavras do festival –  o acirramento dos embates se fazem cada vez mais frequentes e violentos, em que as fronteiras entre realidade e ficção estão tão embaralhados que possibilita o surgimento do conceito de Pós-Verdade ou Política Pós-Factual. E o filme exibido na noite de abertura do festival segue essa exata proposta de questionamento:

#1 – A Família (Gustavo Rondón)

O longa, que teve sua estreia há duas semanas no 70º Festival de Cannes, foi a primeira produção dirigida por um venezuelano a chegar à Mostra Semana da Crítica e marca a estreia de Gustavo Rondón na direção.

Em pouco mais de 80 minutos de projeção, somos apresentados a Pedro (Reggie Reyes) – uma criança de 12 anos que cresceu em meio à violência da periferia – e Andrés (Giovanni García) – pai de Pedro, que trabalha dia e noite para manter sua família. Família, não por acaso o nome do filme, é a palavra-chave da narrativa. Aqui, ela é formada por pai, filho e pela ausência da mãe, que é incessantemente lembrada pelos personagens. Essa perda seja talvez a único ponto comum entre pai e filho, que estão em embate constante por conta de suas personalidades tão distintas.

Mas, mesmo com suas diferenças, os personagens são forçados a se aproximarem após Pedro ser sentenciado à morte no bairro em que vive. Quase inteiro rodado com câmera na mão e baixa profundidade de campo, a direção de fotografia de Luis Armando Arteaga deixa claro que este é um filme sobre personagens, suas relações e conflitos internos, e não apenas sobre as situações que enfrentam.

Essa (difícil) convivência dos protagonistas é o ponto principal do longa, e nessa relação conturbada A Família consegue abordar com sensibilidade temas como violência e perda.