Eu desisti de você quando percebi que a dor era o maior dos sentimentos. Eu sei, ainda existia amor, porque quando ele é verdadeiro sempre resta uma parcela que insiste em não ir embora. Porém, eu estava me doendo e me doando mais do que podia e deveria. Eu já nem era mais eu quando decidi desistir de você.

O que me fez desistir de você tem cheiro de fragilidade e gosto de arrependimento, mas eu acredito que nunca fui tão forte quanto no momento em que tive que deixar você para trás. A dor ainda permaneceu, e em alguns momentos ela quadruplicou de tamanho, mas eu fiz o necessário para continuar existindo. Quando você foi embora, então, eu pude me perguntar: quem sou eu? E as respostas ainda chegam aos poucos.

Aquilo que me fez desistir de você foi me encontrar no final da linha – ou a gente seguia se machucando, ou algum de nós dois tomava as rédeas para puxar o freio. Até mesmo o amor às vezes precisa de um basta. E, sim, eu desisti de você e de nós, essa era a nossa única opção.

O que eu não sei ainda é se desisti de querer que nós possamos voltar algum dia. Lá na frente, nem amanhã, nem depois. Um pouco mais adiante. Quando nenhum de nós lembrar que um dia a gente precisou desistir para poder recomeçar.