Em constante expansão, a Netflix está cada vez mais empenhada em ampliar seu catálogo com produções próprias. Com vários conteúdos originais, a empresa agora pretende se aproximar de seus clientes ao redor do mundo. E seguindo tal pretensão, recebemos O Matador; nada mais que o primeiro filme de ficção totalmente brasileiro produzido pela Netflix.

A conexão entre nosso país e o serviço de streaming já é bem grandinha para se falar a verdade. Existe um grande carinho deles para com nós, sempre disponibilizando vídeos especiais para cada uma de suas populares séries. Inclusive, já emplacamos uma produção lá com ‘3%’; série futurística brasileira de drama e ficção científica. Agora com O Matador um grande passo é dado e abre a possibilidade de mais investimentos futuros em produções nacionais.

Desde o princípio é fácil notar como O Matador segue caminhos brutos, seja na montagem ou no encaminhamento da história. A produção segue um estilo de faroeste em meados dos anos 20 do sertão brasileiro, época onde a lei quase não existia.  Conhecemos Cabeleira (Diogo Morgado), achado ainda bebê pelo cangaceiro Sete Orelhas (Deto Montenegro). Ele cresceu completamente isolado da civilização e após seu mentor desaparecer, vai à cidade para procurá-lo. Encontra um território hostil, governado pelo francês Monsieur Blanchard (Etienne Chicot); para quem acaba trabalhando e criando fama como matador.

Já de cara percebemos que não é um filme composto por artistas renomados, e isso não é problema algum. A direção e roteiro ficaram nas mãos de Marcelo Galvão (‘Colegas’), diretor premiado em festivais nacionais. Temos em O Matador uma produção que tenta reproduzir o estilo western de Leone e Tarantino no cangaço nordestino. E é tal “homenagem” que salva o longa, com todos os diálogos e cenas de tiro, as tramas de caça/caçador e toda a ambientação.

O Matador tem em sua base o que faria o filme ser grandioso, toda essa pegada faroeste com mortes e violência. Porém acaba se perdendo ao inserir várias tramas de pouca importância e muito espaço, maioria não vai pra frente e se mostram descartáveis. São personagens paralelos que tiram o foco do protagonista e toda sua “glória” é deixada de lado. Apesar desta falha de encaminhamento, o filme encontra no uso do narrador a salvação; ao ser muito bem empregado para explicar tudo. Com cenas bem feitas em sua maioria, O Matador é uma obra realmente interessante e com potencial (infelizmente mal aproveitado aqui) que prova à Netflix que temos muito a oferecer.

Nota: 7,0

Trailer – O Matador