Tias são aqueles seres que estão naquele mundinho confuso entre as mães e as avós. Enquanto as mães dominam o advérbio “Não!” e as avós o “Sim!” as tias sempre ficam no “Talvez, quem sabe, vamos ver”. Elas são as conciliadoras, fazem o meio campo, são como a Suíça. Nem pra lá nem pra cá. Ou seja, são quem mantém o mundo funcionando.

O nosso mundo atual se ressente da falta de tias. Ok, talvez você tenha uma, duas, quatro ou seis tias. O que é ótimo, afinal, quanto mais tias, mais presentes nos aniversários, natais e afins. Mas não é dessas tias que estou falando.

Veja a seguinte situação: Uma manhã normal de um dia normal de uma semana normal qualquer. Um moço caminha, rumo ao trabalho, pela calçada de uma rua movimentada qualquer. De repente, ao sair da calçada para atravessar a rua, ele tropeça, torce o pé e cai. No meio da rua. Enquanto morre de dores pelo tornozelo machucado, o sinal dos automóveis se abre. No desespero, ele vê uma moto vindo embalada em sua direção. Acidente & Atropelamento & Morte (ou hospital)!

Ele é salvo por uma tia. Uma tal de Simpatia. De um estranho que viu tudo acontecendo e rapidamente correu até o moço caído no meio da rua e o levantou a tempo de sair da frente da moto. E o trouxe de volta para a calçada perguntando “Tá tudo bem?” e o moço respondendo “Obrigado, agora tá.”.

Essas tias…

E veja essa outra situação: Uma moça está dentro do ônibus voltando pra casa à noite, depois do cursinho. Tranquila, com o fone no ouvido ouve uma música qualquer enquanto olha janela afora, pensando o dia de amanhã. Um homem qualquer senta ao lado dela. E ela continua olhando pela janela até que é retirada do seu pensamento e percebe que o homem tem algo no bolso e, então, cochicha no ouvido dela “Ou você desce comigo no próximo ponto ou eu te furo aqui mesmo”. Sem saber o que fazer ou como reagir, totalmente atordoada e confusa, ela olha em volta. O ônibus freia no ponto. O homem a força a se levantar. Eles se levantam e, no caminho da porta do ônibus, outra moça olha pra ela e diz, enfática “Lari? Há quanto tempo! Vem cá me dar um abraço!” e a puxa pelo braço. O homem desce do ônibus, as portas se fecham e continua a viagem. As duas desconhecidas sorriem mutuamente e se sentam novamente, uma ao lado da outra.

Ela é salva por uma tia. Uma tal de Empatia. De alguém que já viveu algo parecido e rapidamente se apressou em ajudar e a tirar daquela situação.

Essas tias…

O que falta nesse mundo são as tias. A simpatia e a empatia. Se elas pudessem ser mais presentes esse mundo seria muito, muito mais saudável. Pena que o nosso mundo atual está infectado não só por outros tipos de tia. A antipatia e a psicopatia. Mas também por Bia. Tipo a homofo…

Rafael Monteiro