Quando me debrucei para pensar sobre o que escreveria para esta coluna, queria mostrar uma forma bacana de ver a moda e a comunicação. Mostrar algo além de dicas de moda, regras do que você pode usar e do que fica bem no seu corpo ou não. A minha ideia principal sempre foi discutir o porquê das coisas, gerar reflexões sobre esses assuntos que tanto me encantam. Não gosto de regras impostas por outros, e talvez esse seja o motivo de a minha linha de pensamento ser menos “popular” do que muitas pessoas que escrevem sobre o assunto.

Mas eu acredito na moda com conteúdo, que te faça pensar de verdade sobre o que está consumindo. Até hoje vi poucas pessoas que pensam assim como eu, mas mesmo com poucos ao meu redor sinto que é necessário criar textos mais reflexivos do que coercitivos. Pensar nas mensagens que os estilistas e marcas querem trazer quando lançam uma coleção é muito mais importante do que dizer com qual peça de roupa alguém fica bem ou não. Analisar as referências e  por que elas estão em voga hoje é muito mais importante do que dizer que a coleção está linda ou não.

Em um sábado desses ouvi um senhor chegar a uma constatação interessante. Ele disse que somos cartas abertas para as pessoas lerem e que elas estão lendo o que escrevemos o tempo todo. Trouxe esse pensamento para a minha vida e, por isso, penso muito mais no que estou transmitindo para as pessoas, qual imagem estou construindo, o que a minha carta está contando para os outros. Não estou dizendo que precisamos ditar nossos gostos pelo olhar do outro. O que quero que comecemos a pensar é se estamos realmente mostrando para os outros quem somos de verdade.

É equilibrar o interior com o exterior. É se olhar no espelho e ver que há coerência. A moda pode ser uma vilã nessas horas, e, como acredito que já existem muitas pessoas querendo te dizer o que você deve vestir e como vestir, não quero ser mais uma a dizer. Meu propósito é te fazer refletir e se perguntar todo dia: essa aí no espelho sou eu mesma? Espero que a resposta seja sempre sim!