Poucos atores e diretores souberam dar tanto valor à cultura popular brasileira como Amácio Mazzaropi. Paulistano que viveu durante alguns anos em Curitiba, Mazzaropi foi um verdadeiro empreendedor do cinema nacional.

Criou uma produtora, popularizou a cultura caipira no cinema em uma época que as produções nacionais sofriam tanto com a falta de apoio quanto de qualidade.

Entre seus 32 filmes ao longo a carreira, o imortal Jeca também falou de futebol. Colocando-o, inclusive, como uma de suas maiores paixões. Acima até mesmo de coisas mais importantes na vida, como o estudo e a carreira.

O Corintiano” foi rodado em 1966 e contou com uma grande festa por ocasião do seu lançamento. Pode não ser uma das melhores obras do cineasta, mas, sem dúvida, é uma das mais divertidas.

A rivalidade entre o barbeiro Manuel e o vizinho italiano, logicamente torcedor da Sociedade Esportiva Palmeiras, é o tema central da obra. “Seu” Mané levava tão a sério a questão futebolística que tinha vergonha de ver o filho mais velho, Jair, tornar-se médico. Preferia vê-lo centroavante do time do coração.

Afinal, a lógica da vida para ele era bem simples: “Mais vale um pé na bola que uma cabeça na escola”. Sonhava com o filho com a 9 – ou com a 7, na ponta direita, ou a 11 na esquerda; e com a filha, Marisa, como uma costureira. Quis o destino que fossem médico e bailarina, respectivamente.

Rivalidades e exageros à parte, “O Corintiano” retrata um pouco do folclore de alguns torcedores do futebol pelo Brasil. Quem nunca conheceu um vizinho/amigo/conhecido fanático e capaz de tudo pela equipe do coração que atire a primeira pedra.

Uma verdadeira homenagem a quem gosta de futebol e quer uns bons momentos de diversão.