Basta um filme de terror ser acompanhado da frase “baseado em fatos reais” que a nossa percepção já muda. Do nada tudo passa a ser mais assustador e envolvente, o medo aumenta e o temor toma conta. Mas até que ponto isso condiz com o que estamos a ver? E isso realmente basta para tornar uma obra terrífica em uma produção de qualidade? Chegou aos cinemas nesta quinta (1) A Maldição da Casa Winchester para nos fazer questionar todos esses pontos.

O filme narra a história de Sarah Winchester, viúva e herdeira da maior empresa de armas de fogo após a morte do marido e filho. Após passar por várias situações macabras e sentir ameaçada por espíritos, ela resolve construir uma mansão de sete andares e cômodos incontáveis para “abrigar” tais fantasmas em busca de vingança.

A Maldição da Casa Winchester é protagonizado por Helen Mirren, e conta com Jason Clarke no papel de seu psiquiatra. A direção e roteiro estão nas mãos dos irmãos Michael e Peter Spierig, responsáveis pelo recente ‘Jogos Mortais: Jigsaw’. Uma combinação um tanto estranha, ao misturar dois excelentes atores junto de uma dupla de diretores pra lá de contestáveis.

A grande questão que deve permear nossas mentes é a, de até que ponto o que estamos assistindo é verídico? Fácil responder de antemão que os roteiristas abusaram da liberdade criativa. Sabemos que a mansão existe e se encontra localizada na cidade de San José, nos arredores de San Francisco. Foi construída ao decorrer de décadas, sem planejamento algum, e acabou interminada; com uma arquitetura bem bizarra. É considerada a casa mais mal assombrada do mundo, um marketing gigantesco diga-se de passagem.

É o tipo de obra que tem uma funcionalidade dobrada, podendo acertar em algumas delas para se tornar bem sucedida. Poderíamos conhecer mais sobre a mansão e entender melhor como tudo aconteceu ou apenas ser um filme de terror funcional, que assuste e cause tensão. Acontece que A Maldição da Casa Winchester não chega perto de acertar a mão em ambas as situações. Existe ainda o fator do debate sobre armamento e conseqüências, pra variar, deixado de lado.

Recebemos um encaminhamento fraquíssimo, provando que ser “baseado em fatos reais” pode ser apenas algo superestimado que beira propaganda enganosa. É mais um terror que tinha tudo para brilhar e se perde, o que fica claro com o desespero final para tentar de qualquer jeito ganhar o apreço do espectador. É tão perdido quanto a mansão em si, real protagonista, que mal montada acaba virando palco de uma trama sonolenta. Para os amantes de jumpscares (aquelas cenas que surgem do nada com intenção de assustar), vários bem previsíveis aparecem por aqui; tão previsível quanto A Maldição da Casa Winchester em si.

Trailer – A Maldição da Casa Winchester