“You should’ve been a mother – Você deveria ter sido uma mãe

You should’ve been a wife – Você deveria ter sido uma esposa

You should’ve been gone from here years ago – Você deveria ter ido embora daqui anos atrás

You should be living a different life – Você deveria estar vivendo uma vida diferente”

True Trans Soul Rebel, composto por Laura Jane Grace.


Quando Tom Gabel tinha 4 para 5 anos, ele assistiu a uma apresentação da Madonna na televisão e sonhou em ser como ela, tanto como artista quanto como mulher. Enquanto criança, Tom não entendia o que estava acontecendo com ele, não compreendia por que não poderia usar as roupas que queria ou por que seus pais o ensinavam a se comportar de uma maneira que era estranha para ele.

Enquanto crescia, o jovem Gabel foi percebendo que aquela confusão interna se transformou em uma disforia de gênero. Como um aspirante do rock, ele se debruçou sobre o álcool e as drogas para esconder os problemas com seu corpo e a sua crise de gênero. Sem a internet, sem grupos de apoio e esclarecimento, suas referências de transexualidade eram vergonhosas e se confundiam com “travestis assustadoras”.

Vocalista principal da banda de punk rock Against Me!, Tom resolveu assumir publicamente quem ele era de verdade aos 31 anos. Com o nome de Laura Jane Grace – como sua mãe um dia afirmou que seria chamado se fosse menina, a roqueira iniciou um processo de mudanças profundas no seu corpo, no seu relacionamento com a esposa Heather e na banda.

Against Me!

Em 2014, a Against Me! lançou um álbum que entrou para a história do rock, o Transgender Dysphoria Blues. Com letras inspiradoras sobre uma garota auto-destrutiva presa no corpo de um garoto, o disco segue a mesma linha melódica e emotiva que é marca registrada do grupo. Eles se superaram depois da reviravolta que a mudança e a saída abrupta de dois integrantes da banda – o baixista Andrew Seward e o bateirista Jay Weinberg – provocou.

Transgender Dysphoria Blues nasceu como um álbum conceitual sobre uma prostituta transexual. O CD tem seu ápice com o hino True Trans Soul Rebel e com a música homônima ao nome do disco, que tratam , quase que auto biograficamente, dos medos que circundam o “fantasma” de se assumir como transexual:

“You want them to see you – Você quer que eles te enxerguem

Like they see any other girl – Da mesma forma que qualquer outra garota

They just see a faggot – Mas eles só veem uma bicha”

Transgender Dysphoria Blues, composto por Laura Jane Grace

https://www.youtube.com/watch?v=HEE7iw5WYJI&feature=youtu.be

Aceitação

A aceitação por parte da família tem sido positiva. Ela contou ao Mail Online News que apenas perdeu o seu pai, ex-major do exército, que não aceitou a sua mudança de sexo. Depois de perder dois membros da banda, sua amizade com o Bowman, outro integrante crucial do grupo, mostrou-se verdadeira e essencial para Laura.

Apesar da Against Me! estar atingindo um universo nunca antes tocado, ainda há pessoas e ex-fãs que desprestigiam o trabalho com comentários grosseiros e ignorantes nas redes sociais. Comentários como: “Eu passei a odiar a canção porque ela é controversa. Você não sabe falar sobre isso. Aprenda a ser insultada. Porque todo mundo recebe insultos” e “Estou cansado do discurso ‘Ai meu deus, ela é tão linda’. Apenas aceite e siga em frente. Parem de ficar repetindo e tratando ela como se fosse preciosa.”

A comunidade LGBT deve conhecer esse trabalho e dar apoio à banda. Positivamente, a resposta tem sido de conscientização, aceitação e respeito.