Estão abertas até 1º de março as inscrições para o SaferLab, laboratório de ideias para a produção de contra-narrativas de enfrentamento aos discursos de ódio na Internet. A chamada é voltada para jovens entre 16 a 25 anos que têm vontade de saber mais sobre direitos humanos e produção de conteúdo on-line. Os participantes terão acesso a um processo de formação, mentorias e vão concorrer a bolsas em dinheiro que vão de R$ 1,5 a R$ 12 mil para os melhores projetos que ajudem a promover direitos humanos na rede. Para participar, basta reunir um time de três a cinco pessoas. O exercício de criatividade já começa na escolha do nome do time que levará em conta referências e inspirações dos/as participantes.

A inscrição pode ser feita aqui.

::Acesse o regulamento::

A iniciativa é da Safernet Brasil, em parceria com o Google e UNICEF Brasil. Organização nacional voltada ao enfrentamento dos crimes e violações aos direitos humanos na Internet, a Safernet já recebeu mais de duas milhões de denúncias voltadas a discurso de ódioO racismo é o mais comum deles, corresponde a um quarto dos conteúdos denunciados. Apenas as denúncias e a abordagem criminal, no entanto, não têm se mostrado suficientes para responder a esse fenômeno. Para ir além das iniciativas legislativas de criminalização, o programa busca fortalecer discursos afirmativos e narrativas que promovam a diversidade.

Debate com blogueiros no lançamento do SaferLab/Fotos: Flávio Florido/ Ricardo Matsukawa

Em um cenário de polarização e intolerância crescentes, o laboratório vai incentivar que adolescentes e jovens participem de um mês de formação virtual e um final de semana de imersão presencial. Elas e eles são chamadas/os para a conversa, como sugere o jogo criado para a campanha de divulgação, o #chamapraconversa. O desafio do jogo, cujas cartas sinalizam as boas práticas e aquelas que devem ser evitadas, é superar as maiores tretas da Internet com um diálogo produtivo e respeitoso mesmo que os/as integrantes sejam bem diferentes. O vídeo da campanha mostra a interação entre quatro youtubers durante o jogo e dá o tom das questões para as quais o projeto buscará respostas. Ganha a/o jogador/a que consiga falar e ser ouvida/o.  Assista: 

SaferLab: o jogo do #chamapraconversa

Você é um jovem que valoriza a diversidade e tem a cabeça cheia de ideias para criar conteúdo que valorize respeito e estimule boas conversas na internet? Vem para o #SaferLab :DA Safernet Brasil, em parceria com o Google e UNICEF Brasil, lançou o #SaferLab, um laboratório de ideias para apoiar a produção de contra-narrativas para o discurso de ódio na internet. Aqui, a galera participará de um processo de formação, mentorias e concorrerá a bolsas em dinheiro que vão de R$ 1,5 a R$ 12 mil para os melhores projetos que ajudem a promover direitos humanos na rede. Você tem uma boa ideia? Corre aqui para se inscrever: http://www.safernet.org.br/site/saferlab/inscricaoPara começar esse papo, desafiamos quatro youtubers bem diferentes para jogar o #chamapraconversa, um jogo sobre as maiores tretas da internet. Spoiler: dá para manter um diálogo produtivo e respeitoso mesmo sendo bem diferente – e a gente só ganha quando consegue falar e ser ouvido :)Saiba mais: http://saferlab.org.br/

Publicado por Safernet Brasil em Quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Tem gente que confunde liberdade de opinião com oportunidade de opressão”, disse a blogueira negra Tia Má durante o lançamento do SaferLab, em 23 de janeiro, na sede do Google em São Paulo. O debate contou com representantes da Procuradoria Federal, youtubers e blogueiras/os de todo o país. Afros e Afins por Nátaly NeriTia MáQuebrando o TabuYsani KalapaloRyane LeãoKimani apresentaram relatos sobre como lidam com discursos de ódio.

“Muitas vezes o discurso de ódio está disfarçado como #minhaopinião. Mas ‘minha opinião’ não pode ser utilizada para você expressar toda a sua forma de preconceito”

O falso anonimato que a internet permite faz com que as pessoas se sintam mais livres para falar o que não falariam cara a cara”, disse Ana Carolina Roman, procuradora da república.

Em destaque Tia Má, blogueira de Salvador/Foto: Flávio Florido/Ricardo Matsukawa

De acordo com Juliana Cunha, diretora de projetos especiais da SaferNet, o foco está em qualificar as discussões, estimular o diálogo e apoiar que jovens de grupos mais propensos a sofrerem ataques on-line se empoderem para que assumam uma posição de protagonismo. “Apostamos no potencial das redes, na criatividade aguçada pela cultura da internet e nos desafios das metodologias colaborativas para estimular a produção de contra-narrativas para o discurso de ódio on-line. A gente quer potencializar a voz de quem costuma ser silenciado”, explicou a diretora.

Laboratório de contra-narrativas

Na formação, os jovens vão aprender desde estratégias de comunicação à governança na internet – tudo para criar projetos que ajudem a qualificar o debate público. As dez melhores ideias que estimulem o diálogo, o respeito e a diversidade serão colocadas em prática.

Contra-narrativas para o discurso de ódio são maneiras de se opor e desconstruir narrativas comuns de discriminação e intolerância, mas vão além e têm uma abordagem propositiva, focando no diálogo, na igualdade, no respeito às diferenças e na liberdade. Podem ser produzidas com fatos, dados, humor, sensibilidade, humanidade e experiências que possibilitem experimentar diferentes pontos de vista. Provocar empatia é um dos objetivos.

No guia Tool Box (caixa de ferramentas), o SaferLab compartilha as melhores práticas para que as pessoas possam criar ideias contra discursos de ódio.

Para o SaferLab, a melhor forma de argumentar é tentar entender o ponto de vista do outro. Não há problema na discordância, desde que esse ponto de vista não viole a dignidade de alguém. “Compreender o que a pessoa pensa e o que a levou a pensar daquela forma ajuda a enumerar os pontos fracos no argumento e a respondê-los respeitosamente”, explica a organização no site institucional.

Cartas do jogo #ChamaPraConversa sinalizam para as boas práticas

Integram a comissão de seleção dos projetos influenciadoras/es, como Bianca Santana, jornalista, doutoranda em ciência da informação e autora do blog Quando me descobri negra, e a jovem cantora MC Soffia, cujas músicas tratam da cultura da periferia e igualdade racial.

Via Portal Catarinas