Três anos atrás recebíamos um filme de ação chamado ‘De Volta ao Jogo’, pouco aguardado e divulgado apesar de ser estrelado por Keanu Reeves. Parecia ser mais uma daquelas produções tentando utilizar a fama do protagonista para alavancar uma estória sem nexo. Porém, fomos agraciados com uma maravilhosa surpresa e uma película pra lá de agradável aos amantes do melhor estilo ‘ação porradaria’.

Cá estamos em 2017 e chega aos cinemas a mais que merecida continuação “John Wick – Um Novo Dia para Matar”, com a volta de Reeves no papel principal. A trama é bem similar ao primeiro, Wick está aposentado da vida de assassino particular e se sente na obrigação de voltar a combater (leia-se matar) criminosos. A direção segue nas mãos de Chad Stahelski e escrito por Derek Kolstad, dois novatos e que já mostram excelente noção para tal tipo de trabalho.

John Wick: Chapter 2 (no original) traz um ritmo muito mais alucinante que o antecessor, com mais brigas e menos tempo de dramatização em tela. Se no primeiro conhecemos a personalidade de John e de pouco fomos introduzidos às brigas, aqui a história é outra e desde os primeiros minutos contamos com cenas de ação em tela. É ação do começo ao fim e o que é melhor é que é ação de qualidade, que não tem medo de ser forte e cru nas passagens.

Seja nas inúmeras brigas desarmadas, belamente coreografadas e perfeccionistas pra ninguém botar defeito, ou nas trocas de tiros, tudo funciona e flui com facilidade. Trabalho brilhante do diretor Stahelski, seguindo sequências de cenas de briga sem cortes e com articulação para se movimentar de locais distintos sem perder o fio da luta. A escrita de Kolstad merece elogios por desenvolver um enredo que parecia fechado até primeira instância, entretanto se mostra agora bem vasto vide a ampliação de um simples longa para uma nova franquia cinematográfica.

Impossível não destacar a frieza de Keanu como Wick, não deixando transparecer emoções em nenhum momento e se mostrando bem adaptado ao estilo corrido e cheio de lutas do longa. Não dá pra ver outro ator no papel e quando isso acontece é que percebemos quão boa está sendo a interpretação. Destaque também para Ruby Rose e Common, dois adversários que tomam mais tempo em cena e de forma convincente, e também ao “vilão” Riccardo Scarmarcio. Quem aparece para a alegria dos mais saudosistas é Laurence Fishburne, num papel discreto e que serve muito mais para animar os amantes de ‘Matrix’.

John Wick: Um Novo Dia para Matar é ação de um estilo difícil de encontrar, pois arrisca sem medo e coloca muita morte em cena (128 para ser mais exato, todas oriundas das mãos do protagonista, incluindo até lápis como arma). Faz valer todo o cunho cult que vem recebendo e faz valer o inicio de uma franquia, o que já é mais que certo devido ao incrível desempenho em tela/perante o público/crítica.