Considerando o que o diretor James Mangold atingiu com Logan, nada mais justo do que dar uma chance ao seus novos projetos, mesmo que a princípio eles não pareçam a ideia mais interessante de todos os tempos. Ford vs Ferrari é um destes casos e prova que, sim, Mangold tem estilo mas, não, não é sempre que ele vai revolucionar o gênero no qual se aventura.

Ford vs Ferrari conta a história real de Ken Miles (Christian Bale), um mecânico antissocial que é piloto de corrida nas horas vagas e recebe de seu amigo e piloto aposentado Carroll Shelby (Matt Damon) a proposta de desenvolver e pilotar o carro que vai finalmente levar um fabricante americana – a Ford, neste caso – a vencer o circuito 24h de Le Mans.

O filme faz um bom trabalho em estabelecer as jornadas de seus dois protagonistas. Shelby precisou se aposentar antecipadamente da vida nas pistas e até encontrar a Ford, não havia encontrado uma boa forma de lidar com isso. Enquanto Miles estava tendo problemas financeiros e profissionais por causa de seu comportamento difícil. Desta forma, ao aceitar o convite de Shelby, Miles precisaria aprender a lidar com os egos das figuras corporativas envolvidas nos bastidores das grandes corridas.

No entanto, cada obstáculo que surge no caminho do herói parece ser resolvido rapidamente. Nesse ponto, também, alguns clichês de masculinidade que poderiam já ter sido exterminados teimam em surgir. Como a mulher completamente devota ao marido, mas preocupada com o bem-estar do filho, ou a discussão entre amigos que fica tudo bem após eles saírem no soco. Somando isso à quantidade de merchandising disposta no filme, não é de se duvidar que todo seu orçamento veio de anunciantes.

Isso não quer dizer, no entanto, que o filme não seja cativante. A atuação de Bale é exemplar, o ator nasceu para viver antissociais. O bromance entre os protagonistas é singelo e divertido. E a sequência final, ainda que não traga grandes surpresas, é bem filmada e montada de um jeito que vai emocionar.

No fim, Ford vs Ferrari é um filme com aquela carinha familiar de histórias de superação e gênios não compreendidos, mas que nunca se arrasta e é belíssimo de se observar.

Crítica por Júlio Rocha, especial para o Curitiba Cult.