No fim de semana acontece na Malásia a segunda etapa do campeonato mundial de Fórmula 1. Depois de estrear com vitória na Austrália, Lewis Hamilton tenta manter a boa fase e superar seu companheiro de equipe e rival, Nico Rosberg, na equipe Mercedes.

Tá, eu sei que não é uma coluna factual, nem só de esportes, mas preciso de um gancho para falar do tema. Afinal de contas, Hamilton x Rosberg é a rivalidade do momento na categoria. Assim como um dia foram Senna x Prost, Piquet x Mansell, Jackie Stewart x Emerson Fittipaldi, Schumacher x Hakkinen…

Até chegarmos a uma delas que, recentemente, foi retratada nas telas de cinema: Niki Lauda x James Hunt. O primeiro, austríaco, disciplinado, batalhador e determinado. O segundo, inglês, fanfarrão, um autêntico “buon vivant”, que corria por paixão, sem maiores preocupações.

Rush – No Limite da Emoção, dirigido por ninguém menos que Ron Howard, foi lançado em 2013 e conta a história da amizade e rivalidade desses dois personagens pitorescos na Fórmula 1 dos anos 70. Época em que as pistas eram mais desafiadoras, os riscos maiores e as mortes, por conta dos outros dois fatores, mais comuns.

Lauda, inclusive, quase foi vítima de uma fatalidade durante o Grande Prêmio da Alemanha de 1976, ano no qual a história é centrada. Durante a corrida, disputada no autódromo de Nurburgring (na época com um traçado de cerca de 21 quilômetros), o austríaco bate sua Ferrari contra o guard-rail – espécie de cerca metálica de proteção. O carro pega fogo e, a partir daí, o piloto passa a lutar pela sua vida. Até o triunfante retorno naquele mesmo ano.

O que chama a atenção em Rush é o destaque ao lado humano da história. A rivalidade entre ambos, que deu origem à amizade que nasceu nas pistas e seguiu firme até a morte de Hunt em 1993. Mas se você procura por imagens de corridas neste filme, é melhor ir para outro título. Inclusive, irei indicar alguns nas próximas colunas.

Outro ponto que chama bastante a atenção é a caracterização dos atores. Tanto Chris Hemsworth (Hunt) quanto Daniel Brühl (Lauda) aparecem muito bem representados na telona. A transformação de Brühl após o acidente também é digna de nota.

E, afinal, como acabou aquele campeonato em 1976? Bem, sem medo algum de dar spoiler, Lauda, que havia sido campeão no ano anterior, liderava até o acidente na Alemanha. A partir daí Hunt recuperou terreno e chegou em condições de disputar o título com o austríaco na última corrida no ano, disputada em Fuji, no Japão. Lauda abandonou ainda na primeira volta devido às péssimas condições da pista. Hunt chegou em terceiro e se sagrou campeão, conquistando seu único título na Fórmula 1. Niki Lauda ainda venceu outros dois campeonatos: 1977 e 1984. Nesse último, a vantagem de Lauda foi de apenas meio ponto para o vice-campeão, Alain Prost.

Para quem quer conhecer um pouco mais do lado humano dos pilotos de automobilismo, algo em falta na Fórmula 1 atual, Rush é uma ótima pedida.