Assim que eu comecei a pensar em pautas para o Not Today Satan, lembrei que uma amiga minha (que já trabalhou comigo em uma série de reportagens sobre cultura drag) está em Maputo. A capital do Moçambique possui uma riqueza cultural de encher os olhos, mas, através da perspectiva ocidental, enfrenta sérios problemas de discriminação de gênero. Um dos meus desejos é apresentar e discutir essa realidade na coluna, que é compartilhada em boa parte da África.

É muito fácil falar da África e cometer um monte de provincianismo, coitadismo e basear a história em estereótipos. É por isso que, antes de qualquer coisa, fui atrás de algum conteúdo que pudesse me ajudar a evitar esse erro. Meu texto desta semana, apesar de não ser especificamente sobre cultura LGBT, é uma tentativa de trazer uma bagagem para um texto futuro sobre sexualidade em Maputo.

Os perigos de uma história única

Chimamanda Ngozi Adichie é uma escritora nigeriana famosa por trazer um novo estilo de escrita que tem conquistado leitores entre o público africano. Ela é um dos principais nomes do feminismo no continente e da luta contra o racismo. Um dos seus principais discursos, We should all  be feminists, foi incorporado à musica Flawless, da Beyoncé. Mas o que ela tem a ver com tudo isso? Adichie também fez um discurso sobre os perigos encontrados em uma única história sobre a África, sobre a pobreza, sobre “as pessoas incompreendidas que travam guerras sem sentido e morrem de fome e AIDS”. Quando se pensa sobre a cultura de países africanos, suas sociedades são julgadas pela moral cristã ocidental. A consequência da história única é que ela rouba a dignidade das pessoas.

Esta semana, eu trago o vídeo da história contada por Adichie para que se aprenda a abrir a mente sobre a África: