Que a Netflix não para no seu plano de expansão mundial já não é mais novidade pra ninguém. A gigante do streaming agora se movimentou em direção oriental, mercado cada vez mais explorado pela indústria cinematográfica. Envolvendo um estilo de filme que vem fazendo sucesso, com um protagonista renomado e máfia japonesa; nasce Dívida Perigosa.

O longa se passa logo após a Segunda Guerra Mundial e apresenta um soldado americano aprisionado em solo japonês. Nick Lowell (Jared Leto) consegue fugir graças a ajuda do seu companheiro de cela, um membro da Yakuza. Agora ele tem uma dívida para com a organização criminosa e precisará adentrar no submundo criminoso; aceitando a cultura e forma de vida, cada vez mais violenta.

A direção é do desconhecido Martin Zandvliet com roteiro de Andrew Baldwin baseado na idéia original de John Linson. Um trio peculiar de novatos, equilibrado pela força da Netflix e de Jared Leto; extremamente popular e dono de Oscar. O elenco é formado em maioria por atores conhecidos no cinema japonês, como Tadanobu Asano e Kippei Shiina.

Muitas questões envolvendo Dívida Perigosa, que chegou nesta (9) ao catálogo, devem ser criadas e precisam ser debatidas. Maioria levantam pontos positivos ao serviço de streaming, porém alguns erros seguem aparecendo e custam caro perante a crítica internacional. Temos um filme que passa longe de ser um primor, mas que mostra um caminho excelente tomado pela Netflix.

A empresa está se arriscando em seu modo de fazer filme, e isso é essencial numa fase que ela precisa se mostrar eficaz; a grande dificuldade está sendo acertar a mão em seus roteiros, regularmente clichês e nada originais. Não basta uma produção ser realmente boa, como é o caso aqui, se o resultado final parecer uma repetição do que já vimos antes; isso pesa muito contra para boa parte dos espectadores

Dívida Perigosa é muito bem executado em vários aspectos, contando com uma bela fotografia em tons escurecidos acompanhada de boas jogadas de câmera. Vai um pouco contra a corrente ao apresentar uma ausência de trilha musical, investindo totalmente em sonorização ambiente; junto de um fundo sonoro pra criar tensão em certas ocasiões.

É interessante analisar a apresentação da cultura de máfias japonesas, nada usuais apesar da essência coincidir com a máfia italiana. Superficialmente criamos noção de como é que tudo funciona, rituais e formas de trabalho; proporcionando uma boa atmosfera de absorção para o nosso imaginário. As atuações merecem destaque também, tendo Leto numa versão bem fria que pode aparentar estranheza a alguns.

O que mais chama atenção é a qualidade de ação/drama/violência presentes, muito bem dosados para não fugir do contestável foco. As cenas envolvendo brigas e mortes são de qualidade surpreendente, méritos ao trabalho de direção, chegando a causar certo desconforto. Temos em Dívida Perigosa, uma produção bem feita e que peca ao não ousar no que tem em mãos. O roteiro manjado estraga bastante, mas não tira o brilho final da obra que consegue entreter facilmente. Fica claro que a Netflix está no caminho certo e que em breve conseguirá bater de frente com produções hollywoodianas; só falta focar em qualidade e esquecer um pouco quantidade, mais vale um roteiro genial do que 20 nada originais.

Trailer – Dívida Perigosa