“Finalmente, Curitiba!”. Com essa saudação aliviada e simpática, Jorge Drexler provocou aplausos eufóricos dos fãs assim que subiu no palco do Vanilla Music Hall no domingo (29) à noite. O cantor veio a Curitiba fazer o último show da turnê Bailar en la Cueva e o primeiro na cidade. O uruguaio começou a apresentação dançando uma coreografia ensaiada com os músicos da banda. Os passos, que lembravam muito os do clipe de Universos Paralelos, anteciparam uma noite animada.

O local do show estava cheio e, embora o público fosse heterogêneo, a boa disposição era um ponto comum entre os fãs. Mas não foi a quantidade de pessoas e a atmosfera dançante que impediram o cantor de fazer uma apresentação intimista e pessoal. Com brincadeiras, trocadilhos e alusões à sua vida, o hermano interagia com a plateia como quem se dirige a bons amigos.

Como o evento coincidiu com o aniversário da capital paranaense, Jorge não deixou de parabenizá-la e sugeriu o início de um caso de amor com ela. Ao cantar Cai Creo Que Caí, revelou que a música foi feita para uma cidade no interior da Espanha e que poderia compor algo para Curitiba caso ela também mexesse com seu coração. “Estamos nos conhecendo”, brincou.

Em um momento da apresentação, o uruguaio dispensou a banda e iniciou um show à parte com voz e violão. Para a alegria do público, já que os fãs iam fazendo pedidos para além do álbum da turnê.

Outro ponto alto foi quando o artista cantou Al Otro Lado del Río, a capella. A música, feita a convite do diretor do filme “Diários de motocicleta”, Walter Salles, foi tema do longa metragem e ganhou o Óscar de melhor canção original em 2005. No dia da premiação, Antonio Banderas e o guitarrista Carlos Santana foram chamados para interpretar o sucesso porque Jorge não era muito conhecido. Indignado, mas sem perder a classe, o artista cantou a música vencedora quando foi chamado para fazer seu discurso. Assim, surpreendeu o mundo e ganhou uma porção de novos admiradores.

No domingo, durante uma breve ausência de som, Drexler agradeceu pelo silêncio e começou a cantar sem nenhum instrumento a primeira musica em espanhol a receber o Óscar de melhor canção original. O refrão foi reforçado com a voz do público. “Rema, rema”, entoava a plateia acompanhada de gestos do cantor.

Quase no fim do show, o artista se despediu com a música Bolívia, feita para homenagear o país, que, apesar da pobreza, recebeu refugiados durante a 2º Guerra Mundial, como seus avós, que fugiram da Alemanha nazista. Em seguida, Drexler e a banda deixaram o palco. Mas o público pediu mais. E ao que tudo indicava, não pararia de bater palmas enquanto eles não voltassem. E eles voltaram. Cantaram, despediram-se. Depois voltaram de novo. E com uma nova brincadeira de Jorge:  “A gente não está querendo ir embora!”.

E ao som de Todo se transforma e Me haces bien, o carismático vencedor do Óscar deu adeus a uma plateia encantada e a uma turnê que fez muita gente dançar e conhecer o lado mais animado de Jorge Drexler. De nossa parte, dizemos “¡Hasta luego!”.

Foto: divulgação