Estreando nesta quinta (9), Trash é o novo filme de Stephen Daldry, diretor de “Billy Elliot” e “O Leitor”, e que diferente das produções dramáticas anteriores realiza agora uma crítica social cheia de ação. Filmado no Rio de Janeiro e com atores brasileiros, a produção tenta recriar um estilo eternizado pelo brasileiro “Cidade de Deus” e manter a origem americanizada.

Baseado em livro homônimo de 2010 escrito por Andy Mulligan, a história acompanha três garotos (Rafael, Gardo e Rato) que moram em um lixão carioca e após encontrar uma carteira tornam-se alvos de uma grande investigação. Tal carteira possui códigos indicando o caminho para milhões de reais e segredos políticos que estão escondidos em algum lugar.

Os personagens centrais são os três garotos Rafael, Gardo e Rato interpretados pelos iniciantes Rickson Tevez, Eduardo Luis e Gabriel Weinstein respectivamente. Selton Mello é o policial Frederico que faz de tudo para achar a carteira que pertencia a José Angelo (Wagner Moura). Contando ainda com dois atores gringos: Martin Sheen e Rooney Mara como voluntários da favela local.

O filme é montado de uma forma diferente contendo flashbacks, relatos e alternância temporal. Começa mostrando o desfecho, volta para recontar tudo e enfim encaminhar a trama. Vários momentos são intercalados com falas dos garotos em uma forma de entrevista, a qual é filmada no próprio longa. Cartas encontradas acompanham momentos narrados e por se tratar de uma “caça ao tesouro” muitos fatores anteriores são mostrados para dar liga ao que irá acontecer.

Trash tem intenção de criticar o cenário político e social do Brasil ao invés de mostrá-lo como ponto turístico. Mostrando a sujeira de prefeito e envolvimento com outros grandes poderios financeiros e até mesmo a forma pouco ética de agir da policia escancarada na “lição” dada por eles em Rafael. Já o desenrolar do filme desperta interesse pela vontade de descobrir mais sobre as próximas cenas e de garantir que tudo dará certo.

Ponto forte

Certamente o grande mérito do filme são os três meninos, mesmo sem experiência alguma em atuação, dão um show nos papéis principais conseguindo criar um afeto do espectador para com eles graças também à boa química entre os três.

Ponto fraco

Não é um filme brasileiro. Não é a questão de não ser brasileiro e sim que tentaram vender Trash como sendo um filme brasileiro. O trailer destaca os atores Selton Mello e Wagner Moura, assim como o cartaz onde os dois são colocados em evidência. Quem assiste sabe que não é isto. A razão pode ser uma tentativa de marketing para vender o filme em terras brasileiras, na concepção de que os garotos e a história em si não fossem suficientes para tal.

Nota: 8,0

Trailer – Trash – A Esperança vem do Lixo