Quem nunca ouviu falar de filmes como “Os Excêntricos Tenenbaums”, “A Vida Marinha com Steve Zissou” e “Moonrise Kingdom”? O que eles têm em comum? Todos são dirigidos por Wes Anderson, Bill Murray figura no elenco e o estilo de fotografia e filmagens seguem inalterados. Sendo bem sincero, os três filmes citados não me agradam totalmente. Falta algo em todos eles, falta carisma e repassar uma vontade de assistir. Todos têm um elenco de qualidade e boas doses de humor e também de drama, mas não é o suficiente. Talvez faltasse apenas uma história envolvente e animada para agradar de verdade, e foi exatamente o que aconteceu na mais recente obra de Anderson, “O Grande Hotel Budapeste”.

O filme é exatamente o diferencial que faltava nas obras deste diretor. Não podemos negar que a estética e o estilo continuam iguais aos filmes anteriores, talvez não tão pesados como antes. Porém a linguagem e os personagens desta nova história são impecáveis, trazendo aquela tal vontade de participar e saber o que vai acontecer. A história de “O Grande Hotel Budapeste” se passa em território entre guerras mundiais na Europa e em um hotel prestigiado fictício. E é deste hotel que saem os dois personagens do filme e interpretados por atores “desconhecidos”: o concierge / porteiro Gustave (Ralph Fiennes, ele é o Voldemort em Harry Potter) e seu ajudante Zero (Tony Revolori).

A trama se desenrola nas aventuras que ambos vivem juntos e uma infinidade de situações um tanto quanto loucas que vêm a acontecer com eles. Desde prisão e fuga da prisão, roubo de quadro, tiroteio, corrida de ski, assassinatos a várias outras temáticas que prendem os espectadores do começo ao fim. O filme tem, para variar, inúmeras participações especiais de famosos, entre eles não Bill Murray, obviamente. Outro elemento curioso é a forma da narrativa utilizada, mostrando inicialmente um autor do livro inspirado na história que se desenrola a seguir, depois o dono do hotel e ele enfim narrando todo o filme.

O Grande Hotel Budapeste” é certamente é a melhor obra de Wes Anderson, que conseguiu provar que não alterando o modo de fazer, ainda é possível mudar o resultado final. “O Grande Hotel Budapeste” vem sendo extremamente elogiado pela crítica especializada, nacional e internacional, e logo após seu lançamento uma faísca já surgiu afirmando de que o filme irá figurar entre os favoritos às várias premiações do próximo Oscar. E pelo que acompanhamos até aqui em possíveis concorrentes e pela tamanha qualidade deste filme, podemos ter certeza sim de que esta produção estará concorrendo ao prêmio máximo do cinema e com grandes chances de levar algumas estatuetas para casa.

Adalberto Juliatto para o Curitiba Cult