Estreia nesta quinta-feira (18) mais um filme favorito para levar algumas indicações no Oscar 2015. O Abutre, estrelado por Jake Gyllenhaal e dirigido por Dan Gilroy, conta a história de um homem que enxerga nas filmagens de tragédias um meio para ganhar dinheiro.

Já no início do longa é possível conhecer os meios pouco corretos que Lou Bloom adota para ganhar a vida. Desesperado para ser rico e bem-sucedido, ele é solitário e de aparência pálida, mas surpreende a cada atitude que toma para continuar vivo no sonho de se dar bem. Não teria o mesmo impacto se não fosse interpretado por Gyllenhaal, o ator simplesmente dá um show e faz você até sentir certo apreço por seu personagem.

Uma curiosidade é que Jake Gyllenhaal perdeu mais de 10 quilos para viver Bloom e é visível sua tamanha dedicação. Seu modo de falar e agir são impecáveis. Não é à toa que o ator foi indicado ao Globo de Ouro e ao SAG Awards (Sindicato dos Atores).

O filme é bem fechado, com poucos personagens recorrentes. Além de Lou Bloom, outros dois se destacam: seu ajudante vivido por Riz Ahmed e a editora de TV interpretada por Rene Russo. O britânico de nome indiano é desconhecido das grandes produções, porém se sai muito bem como um jovem desempregado e inexperiente na vida.

Já Rene Russo volta a aparecer depois de anos na deriva, e volta com classe. Serve em alguns momentos quase como tutora de Lou, ensinando o que ele deve fazer para se dar bem. Pode pintar uma indicação de melhor atriz coadjuvante aí.

É o primeiro trabalho como diretor de Dan Gilroy, e já faz sua marca. O Abutre tem um estilo bem próprio, com imagens escuras (quase todas as cenas são noturnas) e tons profundos. Além disso, Gilroy vai fundo pro lado mais obscuro das situações e das próprias atitudes humanas. A fotografia é excelente e a trilha composta por James Newton Howard é eficaz.

Ponto forte

A crítica ao modo de fazer jornalismo, com sua busca frenética por audiência. Até que ponto tudo isso é válido? Todo o sensacionalismo tem algum sentindo? Será que existe algum limite quando o assunto é noticiar tragédias? Para Lou Bloom a resposta certamente é não.

Ponto fraco

O Abutre pode parecer um pouco pesado. Não necessariamente nas imagens, mas nos diálogos densos e cheios de discussões morais que estão presente nas duas horas de filme.

Nota: 8,5

Trailer – O Abutre (Nightcrawler)