Quem frequenta festivais de música sabe que o dia é feito de escolhas: com diferentes palcos e atrações é impossível assistir a todos os shows, e as renúncias são inevitáveis. Quem foi à Corrente Cultural de Curitiba, que aconteceu nesse sábado (15), teve ainda mais dificuldade. Isso porque alguns palcos apresentavam atrasos de 40 minutos a incríveis três horas, tornando as escolhas ainda mais difíceis de serem feitas, já que nunca dava para saber quando o show começaria.

Por esse mesmo motivo os artistas que iriam se apresentar não tiveram tempo de passar o som antes da apresentação, prejudicando a qualidade das músicas. Durante o show da curitibana Uh La La!, por exemplo, a vocalista Andreza Michel perguntava entre as faixas se o som estava bom para o público. O show que aconteceu em seguida no Palco Ruínas, da saudosista Gripe Forte, também estava com o som prejudicado.

Gripe Forte, aliás, foi um dos pontos altos da Corrente Cultural. Apesar de ser uma banda apenas de covers das ex-bandas dos integrantes, ela conseguiu animar os órfãos de Pelebrói Não Sei, Relespública e Faichecleres. Logo depois, no Palco Riachuelo, a também curitibana Confraria da Costa fez um show agitado, como sempre, com direito a rodinha de mosh.

Lucas Santtana, o baiano que está em turnê do disco “Sobre Noites e Dias”, decepcionou o público do Palco Boca Maldita. O trabalho do cantor tinha tudo necessário para um bom show, mas o som estourado de alguns instrumentos incomodava os ouvidos. Já Silva conseguiu transpor para o palco toda a intensidade de “Vista Pro Mar”.

O show do Cidade Negra, no entanto, ficou só para quem estava realmente disposto a assistir a banda que foi sucesso na década de 1990. Com quase 3 horas de atraso, o público que se amontoava foi, aos poucos, indo embora no mesmo momento em que as vaias começavam. A jornalista que vos escreve foi uma dessas pessoas.

Foto: Divulgação/Fundação Cultural de Curitiba