
O que é ser marginal? O que é ser maldito? Uma discussão assim, do ponto de vista da Arte, pode embaralhar conceitos, quebrar paradigmas e revelar que, às vezes, os vilões eram, simplesmente, heróis. Quantos, dentro das suas revoluções, chocaram o contexto em que vivam de tal forma que a eles só restou o rótulo de louco?
Imaginem o Paulo Leminski, na fria Curitiba das décadas de 1970 e 1980, falando, por exemplo, sobre pichação e graffiti não apenas do ponto de vista da contravenção penal, mas também explorando o grito poético que riscos numa parede branca podem representar. Mas o próprio Leminski sabia que ele estava lá para fazer chover nos pinique dos outros e que, no fundo, alguns preferiam esse cachorro louco morto a pau, a pedra, a fogo, a pique. Não que isso fosse um problema, afinal, ele mesmo se adiantou ao dizer que ‘isso de a gente querer ser exatamente o que a gente é, ainda vai nos levar além’.
Essas falas do Leminski me fazem lembrar do filho do Seu Raul Sampaio e da Dona Maria de Lourdes. Ele, em 1989, seria o principal entrevistado da revista cultural Umdegrau, uma publicação que não passou da primeira edição e que foi editada por, entre outros, Zeca Baleiro. O filho do Seu Raul e da Dona Maria acabou demorando muito para enviar as respostas da entrevista, de forma que ela parmaneceu inédita por muito tempo. Nessa entrevista, ele, que foi um dos maiores compositores e cantores da nossa música, disse que a independência da criação vem, justamente, ‘de a gente ser muito a gente’. Ele, que também cantava que lugar de poesia é calçada e, porque não, nas ruas e nos muros, viveu a sua vida a sua maneira, deixando a arte em primeiro plano. Seu nome? Sérgio Sampaio.
Foi no ano de 1900, na cidade capixaba de Cachoeiro de Itapemerim, que o compositor, instrumentista, maestro e tamanqueiro Raul Gonçalves Sampaio nasceu. Raul viveu sua vida mais como músico do que como empresário – tanto que ele acabou quebrando três vezes o mesmo negócio e interrompia qualquer serviço para compor uma música. Fulica, vizinho que morava em frente a casa dos Sampaio, conta que certa vez Raul prometeu escrever uma canção para Dona Tereza, a sua esposa. Algum tempo depois, Fulica e sua mulher foram visitar seus vizinhos e, depois de uma galinha e algumas cachaças, Raul começou a tocar ‘Cala A Boca Zé Bedeu‘. Coube ao Fulica acalmar a nervosa Dona Teresa, explicando que Raul era um artista. E ele não era o único na família. Foi seu sobrinho, o compositor Raul Sampaio Cocco, que escreveu a música que viria a se tornar hino de Cachoeiro e faria sucesso na voz do também cachoeirense Roberto Carlos, ‘Meu Pequeno Cachoeiro‘, em 1969.
Mas não foi só o sobrinho de Raul que se enveredou pela música. Certa vez, quando ele ainda ensaiava os primeiros acordes de ‘Cala Boca Zé Bedeu’, entre seus serviços na tamancaria, percebeu seu filho assoviando a música que não estava nem mesmo terminada. Mano Juca, o apelido de infância do filho de Raul, costumava ir a casa da sua tia e escutar os discos com composições de seu primo. Foi nessa época que Sérgio Sampaio começou a se envolver com a música, conhecer suas primeiras influências e a alçar vôos maiores.
Nascido em 1947, Sérgio Sampaio sonhava em ser locutor de rádio. Por isso, antes do fim da década de 1960 ele já morava no Rio de Janeiro e contruia seus caminhos. Foi lá que ele conheceu um dos seus maiores companheiros e amigos. Após acompanhar no violão um cantor que fazia uma audição na gravadora CBS, ele ouviu o produtor, um ainda desconhecido Raul Seixas, dizer que eles precisavam de uma música mais forte para ser lançada. Aí Sérgio, até despretensiosamente, mostrou algumas de suas canções. Antes de ir embora, Raul cochichou no ouvido dele: “volte amanhã”. E foi o que aconteceu. Em 1971, Sérgio Sampaio lançou seu primeiro compacto, com produção do Raul, “Coco Verde/Ana Juan“.
https://www.youtube.com/watch?v=uKS0qd8Oot4
Raul Seixas e Sérgio Sampaio foram transgressores. Até por isso seus caminhos terem se cruzado tão cedo não é algo surpreendente. Sérgio mais próximo do samba, Raul mais próximo do rock, eram, principalmente, artistas. E até por isso é um erro tentar impor rótulos a eles. Sérgio, por exemplo, tinha nos Beatles uma grande influência e reconhecia a tremenda energia no som deles. “Tudo fora, tudo errado. E enormemente brilhante”, disse certa vez com seu trago na mão. E, ao adicionarmos a essa receita o cantor Edy Star e a cantora Míriam Batucada, o resultado não poderia ser mais contundente – ou, quem sabe, marginal. Naquele mesmo 1971, esse time lançou o polêmico “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10“. Envolto por lendas, verdadeiras ou não, o disco foi um fracasso de vendas e rendeu um bilhete da sede internacional da CBS escrito, apenas, “What is this?”. A bagunça foi tanta que o produtor Raulzito foi até demitido da gravadora.
O ano seguinte, porém, reservava a Sérgio Sampaio o seu maior sucesso. É necessário lembrar que o Brasil vivia tempos de repressão e que a vida de muitas pessoas era sufocada de várias maneiras. O sentimento de mordaça e de medo era comum e incomodava profundamente os que não suportavam as prisões impostas por um regime ditatorial. Imagine o que sentia alguém como Sérgio Sampaio. Não é difícil, é só escutar ‘Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua’. Mais que uma música contra a Ditadura, essa é uma canção que chega em nossos ouvidos como um grito de liberdade. O próprio Sérgio disse acreditar que essa canção fez o sucesso que fez por ter sido feita num momento de grande angustia e por possuir um grande poder. Mesmo não tendo sido a campeã, ela foi sensação do Festival Internacional da Canção de 1972.
No ano seguinte, Sérgio Sampaio lançaria seu primeiro disco. Produzido por Raul Seixas e batizado com o mesmo nome de sua música de grande sucesso, “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua”, de 1973, é um discão recheado de músicas incríveis. Sérgio, naquela humildade típica de alguns gênios, dizia que um músico de verdade era alguém como o Hermeto Pascoal – enquanto ele simplesmente tocava “violão como quem toca no corpo de uma mulher sem saber as zonas erógenas” – e que poetas mesmo eram Drummond e Vinicius. Mas a música e a poesia de Sérgio transcendem a sua maneira. Sérgio foi um poeta que expressou sua obra poética não em livros, mas em melodias e letras de música. E Sérgio se inspirava, principalmente, nas pessoas. Ele não via sentido num belíssimo nascer do sol, simplesmente. A magia, dizia, está no semblante daquele casal de namorados apaixonados que observa, atônitos, aquele espetáculo.
https://www.youtube.com/watch?v=qQpq9PBChxk
A poética, às vezes misteriosa e sempre sugerindo interpretações, aliada as suas incríveis melodias, fazem de “Bloco na Rua” um disco único. A faixa de abertura, ‘Leros e Leros e Boleros‘, já trás uma ótima amostra da obra de Sérgio Sampaio. Sua capacidade de descrever pequenos momentos de maneira grandiosa e simples. ‘Filme de Terror‘ é uma música que cresce e nos envolve na sua progressão, descrevendo um filme de horror num cenário um tanto carioca. Neste disco está, também, a musica que o Seu Raul escreveu para Dona Teresa, ‘Cala a Boca Zé Bedeu‘, que antecede outra música em que Sérgio buscou inspiração em seu pai. ‘Pobre Meu Pai‘, entretando, escancara uma visão muito pessoal de uma relação entre pai e filho. Uma canção melancólica e que trás, em seu arranjo e letra, a sensação de olhar para o passado.
A próxima faixa, no entanto, deixa a melancolia de lado. Revezando entre momentos que sufocam e que descrevem paisagens e sentimentos, ‘Labirintos Negros‘ soa como um passeio turbulento por caminhos desconhecidos. Os sentimentos são o ponto alto nesta obra. ‘Eu Sou Aquele Que Disse‘, com piano guiando o arranjo, trás a bela voz de Sérgio declamando confissões e pedidos que culmina num final poderoso. A próxima faixa só entrou no disco por insistência de Raul Seixas. Sérgio não gostava de ‘Viajei de Trem‘ e, só após muitos pedidos do seu amigo e produtor, ele a inclui no disco. Sorte a nossa. A música, que começa com dedilhados de violão e sopros, tem um arranjo ímpar que lembra um trem que, lentamente, sai da estação deixando para trás paisagens já conhecidas. Retomando um clima mais ameno na sonoridade, ‘Não Tenha Medo, Não! (Rua Moreira, 65)‘ é um convite para se soltar das amarras que a vida nos impõem. Aqui, um dos meus versos preferidos da música: “as pessoas são os lindos problemas”. Completo essa ideia com os versos da banda california Love, em ‘Alone Again Or‘: “I think that people are the greatest fun”. Cabeças iluminadas conseguem entender as pessoas de maneira especial.
A suave ‘Dona Maria de Lourdes‘ coloca, novamente, a vida familiar de Sérgio. Uma canção que leva o nome da sua mãe, revela conexões, e desconexões, entre seu passado e seu presente. Já ‘Odete‘, um samba para sambar, é um desbunde que prega a simplicidade na vida e aquele necessário desapego que muitas vezes nos falta. ‘Raulzito Seixas‘, a última faixa – antecedida pela faixa título ‘Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua’ – parece uma sobra de estudio, com uma produção simples. Mas isso não é uma crítica a essa divertida homenagem ao produtor e descobridor desse genial artista chamado Sérgio Sampaio.
Apesar do sucesso da música no ano anterior e da qualidade das composições, o disco foi um fracasso em vendas. Sérgio ainda lançaria o ótimo ‘Tem Que Acontecer’ em 1976 e, de forma independente, o ‘Sinceramente’, em 1983. O sucesso, que nunca veio para Sérgio enquanto vivo, era, em sua ótica, muito próximo do fracasso. Dizia, por exemplo, que Fernando Pessoa só tornou-se relevante depois de sua morte, assim, o mais importante para ele era produzir. Infelizmente, esse é um dos mais injustos destinos que a vida pode reservar a uma grande artista. Sérgio Sampaio viveu uma vida de excessos e ostracismo, principalmente nos anos 1980. A produção de seu último disco foi interrompida pela sua morte, por pancreatite, em 1994.
Cada audição de Sérgio Sampaio é uma aula sobre música, arte e vida – até porque esses elementos são essencialmente indissociáveis. E, mesmo assim, impuseram a ele o rótulo de “maldito da MPB”, que ele carregou durante toda sua vida. Assim como outros artistas brasileiros que carregaram a mesma “maldição”, Sérgio não gostava e sentia o peso disso tudo. Hoje, quando vejo toda essa história, percebo que malditos mesmo, na acepção da palavra, foram os que o menosprezaram. E se Sérgio foi maldito, só nos resta entender essa palavra como uma elogio. E talvez seja mesmo. A história mostra que às vezes, aos gênios, resta a loucura e a marginalidade, atribuidas de forma injusta e trabalhadas por esses herois de forma genial. E eu, que conheci o Sérgio Sampaio num show dos Giovanneides – que se não é maldito, rende ressacas que são – brindo a sua história e saúdo todos os loucos.
Quando perguntavam ao Sérgio se ele iria colocar o seu bloco na rua ele dizia: “Eu já coloquei o meu, e você? Quando vai colocar o seu?”

Data de Lançamento: 29 outubro
Em Picuí, no sertão da Paraíba, um grupo de cientistas desenvolve um experimento ousado para tentar controlar a proliferação do Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da dengue. Para alcançar o objetivo, eles recorrem a uma tecnologia envolvendo urânio, mas o plano foge do controle e dá início a uma ameaça de grandes proporções. Diante do risco de uma catástrofe, um pesquisador brasileiro precisa encontrar uma maneira de conter as consequências do experimento antes que elas se espalhem. Enquanto enfrenta uma corrida contra o tempo, ele descobre que impedir o desastre pode exigir decisões difíceis e colocar sua própria vida em perigo.
Quando: 29 de outubro

Data de Lançamento: 29 outubro
Fatherland acompanha a história de Thomas Mann e sua filha Erika. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, este homem decidiu embarcar em uma emocionante viagem ao lado de sua filha em pleno auge da Guerra Fria. Explorando uma Alemanha completamente em ruínas, e um Estados Unidos dominado pelos soviéticos, ele precisou ficar 16 anos exilado no país. No entanto, ao retornar para sua casa na Alemanha, ele reencontrou muito mais do que a sua amada pátria, e sim polarizações e divisões extremas, até mesmo em sua família, que criaram feridas profundas e jamais cicatrizadas.
Quando: 29 de outubro

Data de Lançamento: 29 outubro
No Limite da Justiça conta uma história real que acompanha um agente negro do FBI (Yahya Abdul-Mateen II) quando ele precisa se juntar a Greg Scarpa (Mark Wahlberg), um poderoso assassino da máfia, para tentar investigar os assassinatos brutais contra líderes dos direitos civis no Mississippi na década de 1960. Quando a vingança começa a se confundir com a missão, eles se unem cada vez mais em uma caçada mortal. Agora, apesar de seus valores completamente divididos, eles irão entender que a lei tem limites, já eles não.
Quando: 29 de outubro

Data de Lançamento: 29 outubro
As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você acompanha Julia (Giulia Be) e Gabi (Any Gabrielly) que, por mais que sejam amigas desde crianças, são completamente diferentes uma da outra. Gabi é uma menina cautelosa, tímida e tem medo de enfrentar novos desafios. Por outro lado, Julia é totalmente extrovertida, carismática e se joga em tudo o que a atrai. Para a surpresa das meninas, tudo está prestes a mudar quando uma mentirinha espalhada sem pretensão vira uma tragédia, resultando em um acidente de carro com a Julia. A menina precisa fazer uma cirurgia de risco e então resolveu deixar um presente para Gabi: dez cartas com dez desafios diferentes. Julia fez isso caso ela não sobreviva e a amiga precisará cumprir cada desafio, mexendo completamente com a vida de Gabi.
Quando: 29 de outubro

Data de Lançamento: 29 outubro
Nova adaptação do clássico romance de Jane Austen. Razão e Sensibilidade acompanha a família Dashwood, mais especificamente as duas irmãs Elinor and Marianne. Após a morte do patriarca, que deixou as heranças e propriedades da família para seu único filho do primeiro casamento, a viúva Sra. Dashwood e suas três filhas são deixadas sem residência fixa ou renda para sobreviver. As quatro, então, mudam-se para um chalé em Devonshire de uma prima distante que caridosamente a concede para a família. Os problemas, porém, permanecem, já que a falta de uma fortuna diminui as chances de matrimônio da romântica Marianne e
Quando: 29 de outubro

Data de Lançamento: 29 outubro
O filme 100 Dias, dirigido por Carlos Saldanha, é inspirado no livro Cem Dias entre o Céu e o Mar, de Amyr Klink, e retrata a impressionante jornada do navegador brasileiro, que se tornou a primeira pessoa a atravessar o Oceano Atlântico Sul a remo. Em 1984, Klink realizou a travessia solitária em um percurso de quase sete mil quilômetros, partindo de Lüderitz, na Namíbia, até Camaçari, na Bahia, ao longo de 100 dias, entre junho e setembro. Além de narrar a aventura épica, o filme explora camadas mais profundas, como a relação complexa de Amyr (Filipe Bragança) com sua família, especialmente com o pai, e como essa travessia pode simbolizar sua busca por autoconhecimento e superação. A obra não se limita à façanha física, mas aborda o simbolismo maior dessa jornada, revelando um aspecto psicológico e emocional que vai além do que foi descrito no livro. 100 Dias traz à tona o espírito de resiliência e coragem, ao mesmo tempo em que convida o público a refletir sobre as motivações pessoais de Amyr Klink e o impacto transformador dessa experiência única.
Quando: 29 de outubro

Data de Lançamento: 29 outubro
Em Três Horas Para Viver, uma garota de sete anos está esperando pela chegada de um fígado capaz de salvar sua vida. A carga preciosa é protegida por Hank Malone (Alan Ritchson), um entregador de alto nível. No entanto, a tarefa que parecia simples se transformou em uma perigosa missão de vida ou morte para ele quando o líder de um importante sindicato do crime passa a querer o órgão para si. Angustiado, Hank entra em um jogo de caça e fuga para entregar a encomenda a garotinha em um período de tempo menor do que 3 horas.
Quando: 29 de outubro