Ir a um show da Mallu Magalhães já foi monótono. Se antes a cantora fazia espetáculos silenciosos e desajeitados, na Banda do Mar encontrou alguma presença de palco. Na madrugada deste domingo (23), falou pouco com o público curitibano, no Espaço Trésor, mas não poupou linguagem corporal. Camelo, por outro lado, parecia mais inibido.

Para justificar a postura de Marcelo Camelo é bom relembrar seu histórico. Ele ficou conhecido por tocar em uma das bandas mais amadas do Brasil, o Los Hermanos. De alguns anos pra cá, os fãs pediram muito para o grupo volar a se reunir – e eles atenderam, fazendo uma turnê marcada por muita histeria. Na Banda do Mar, no entanto, o músico não causa o mesmo impacto, e isso parece aborrecê-lo.

Em Curitiba, Camelo pediu pelo menos duas vezes para o público reagir. No meio do show, reclamou que a plateia estava quieta. Quando voltou para o bis, fez movimentos com os braços pedindo para que os fãs comemorassem mais alto a volta da banda ao palco.

O espetáculo foi curto, durou pouco mais de uma hora. O repertório foi variado. Além das canções da Banda do Mar, Mallu cantou “Sambinha Bom” e “Velha e Louca”, de seu último disco solo. Camelo apostou em “Além do que se vê” e “Morena”, do Los Hermanos, além de “Vermelho” e “Doce Solidão”, que cantava sozinho. Eles ainda fizeram o clássico dueto de “Janta”. Os trabalhos anteriores de Fred não foram relembrados.

De maneira geral, o saldo da noite foi positivo. Mallu está, sem dúvida, em sua melhor fase. Seu marido já não compõe tão bem e nem se apresenta com a mesma energia, mas não chega a decepcionar. Há de se ponderar que o Los Hermanos foi o auge de todos os seus integrantes – e Camelo claramente não é exceção.