Depois do fraco “Annabelle” de 2014, poucos esperavam um bom filme contando a história da boneca. Entretanto, Annabelle: A Criação do Mal pode surpreender muita gente. Dessa vez, descobrimos que antes mesmo de sermos assombrados pelas bonecas da Xuxa e da Angélica, o mal residia o corpo de porcelana da queridinha da América. Queridinha é pouco, até o fraco primeiro solo da boneca arrecadou US$246 milhões nas bilheterias de todo o mundo.

O novo filme nos leva até os Mullins, família que ganha a vida criando bonecas. Em um trágico acidente de carro, eles perdem  Annabelle, a filha de cinco anos. Doze anos depois, Samuel Mullins recebe, na casa que parece livre de qualquer problema, a Irmã Charlotte e seis órfãs. A casa só parece uma casa normal, pois há anos, um demônio está aprisionado em um quarto proibido para as meninas. Além disso, existe ainda a misteriosa depressão de Esther, a mãe de Annabelle. Nesse cenário quieto demais para um orfanato, toda cena é bem aproveitada.

Medo do início ao fim

Depois de se consagrar com bons curtas de terror e o longa não muito bom Quando as Luzes se Apagam (2016), o diretor David F. Sandberg estreia muito bem na franquia de James Wan. Pra quem já conhece seu trabalho, verá um salto de evolução. É entregue um filme que não perdoa nos sustos, nem mesmo no começo da história. Aquele clima de frio na barriga não passa durante o filme inteiro e lembra bastante a frieza de “Invocação do Mal” (2014). Se você mergulhar na atmosfera de terror, pode não voltar.

É sombrio, é violento e é o filme que a boneca merecia. Por mais que não seja tão original, abusando de referências (escada, lençol, espantalhos, e até mesmo um poço), é uma produção bem pensada que deixa o público agarrado na cadeira de cinema. Com esses novos nomes na produção, a Criação do Mal vem pra renovar não só a franquia, mas o cinema de terror como um todo.

Ah, e se você sentiu falta dos recadinhos da nossa Barbie? Não vai sentir mais.

Personagens com histórias fortes

Encher o filme de personagens, em sua maioria crianças, não é um problema. A impressionante atuação da atriz mirim Talitha Bateman só soma com os vários elementos assustadores usados no enredo. A novata interpreta a garota que, após ter contraído o vírus da pólio, tem dificuldade para andar sem muletas e é constantemente visitada pela presença do demônio. Inclusive, a personagem deve entrar para o ranking das crianças que mais sofrem em um filme de terror.

O roteiro também executa bem as ligações com as obras anteriores da franquia (o primeiro Annabelle e os dois Invocação do Mal) e o que ainda está por vir (A Freira, que estreia em 2018). Além dos easter eggs (pistas que aparecem durante o filme) e a inserção da boneca Annabelle original, você pode esperar por uma cena pós-créditos à la filmes de super-heróis.

E se quer ter um gostinho do filme sem receber informações demais, esse trailer aqui não revela muita coisa:

O filme Annabelle A Criação do Mal estreia hoje (17 de agosto) nos cinemas brasileiros.

Nota: 9.