Como já é de conhecimento geral, a Netflix vem se arriscando na compra de longas para chamar de seu. Para aqueles que não sabem, explicaremos. O serviço de streaming adquiriu recentemente duas produções da Paramount para lançar diretamente em seu catálogo. São elas: ‘O Paradoxo Cloverfield’ e Aniquilação, foco do nosso texto de hoje.

Se a primeira foi uma bela tática de marketing, mas de fraco resultado, agora temos enfim uma obra responsa. Aproveitando-se da fragilidade da Paramount no mercado, receosa com seus péssimos resultados recentes; a Netflix foi pra cima e levou Aniquilação por 30 milhões de dólares. Apostando na potência do longa e grande chance de premiações futuras, já que o próprio é bem quisto lá fora.

Aniquilação é o mais novo filme dirigido e roteirizado por Alex Garland, com elenco encabeçado por Natalie Portman. A obra é a segunda do diretor, quatro anos após o sucesso de crítica ‘Ex Machina: Instinto Artificial’. Agora se baseando no livro homônimo escrito por Jeff VanderMeer, o primeiro da Trilogia Comando Sul; ‘Autoridade’ e ‘Aceitação’ vêm na sequência. Conhecemos a misteriosa Área X e O Brilho, região isolada e modificada geneticamente, inexplorada e intrigante. É pra lá que uma bióloga (Portman) embarca junto de um grupo de cientistas: Tessa Thompson, Gina Rodriguez, Tuva Novotny e Jennifer Jason Leigh. Ela tenta achar uma explicação ao local após seu marido (Oscar Isaac) retornar extremamente contaminado de lá.

Caprichando nos efeitos especiais e tensão, Aniquilação apresenta um ambiente belíssimo e repleto de ameaças. Mas se prepare, pois indo totalmente contra a maré de produções simplistas, temos aqui uma complexidade sem fim. Nada é entregue de forma mastigada ao espectador, e quando existe certa explicação vem em forma de termos biólogicos.

Apesar de distorcer de leve o que é apresentado no livro, Garland faz um belo trabalho colocando seu entendimento no encaminhamento de Aniquilação. Conta com um belo conjunto frio de atuações, pouco expressivas emocionalmente e condizentes com a ambientação; além de apresentar um excelente grupo de mulheres protagonistas, algo infelizmente raro na sétima arte.

Uma produção complexa e misteriosa, inquietante do começo ao fim no melhor estilo “filmes para quebrar a cabeça”. Temos em Aniquilação um produto recheado de trabalhos brilhantes, desde a fotografia, efeitos visuais, trilha sonora, tensão contínua e até mesmo a trama de complicadíssima digestão.

O filme faz jus ao que chamamos de ficção científica, da forma mais contemplativa possível; apresentando realidades completamente absurdas a nossa percepção. Várias metáforas podem ser criadas, como a recorrente afirmação de que é preciso destruir para algo novo existir; definição que se encaixa em varias passagens.

Cotada como uma das melhores no ano no gênero, tornou-se um acerto em cheio tanto da Netflix quanto da própria Paramount. A primeira por agora ter uma produção pra lá de plausível entre seus títulos, já a segunda por preterir corretamente o lançamento em cinemas; pois Aniquilação com toda certeza é um filme para poucos.

Trailer – Aniquilação