Nunca me conformei com meu filho não gostar de futebol.

E não tem nada a ver com distinção entre esportes masculinos ou femininos.

Futebol é o esporte do povo. Não dá pra ser imune.

Eu cresci indo pro estádio aos domingos à tarde. Futebol tá no sangue da família. A avó do Teo é atleticana doente, daquelas que fica na organizada, canta todas as músicas e sabe até a profissão da mãe do juiz.

Por outro lado, da genética paterna, não veio o gene futebolístico: o pai do Teo joga tênis, vôlei, pedala, nada, corre, anda de skate, patins, faz tudo que é esporte, menos futebol (e curling).

Mas, poxa! O Teo não precisa ser um craque. É só torcer pra algum time.

E olha que eu já me esforcei. Quando ele fez 5 anos, achei que já dava pra apresentar o caldeirão pro bichinho. Fomos ver Atlético e Palmeiras. Nunca torci tanto por um gol, porque achei que o fervo ia ser contagiante pra ele. O timão marcou aos dois minutos.

Aê! O Teo é pé quente.

Tava tudo dando certo. Até que, aos 15 minutos de jogo, ele dormiu com a mesma facilidade de quando vamos à missa. Pegou num sono tão pesado que nem os 5 gols que aconteceram no segundo tempo fizeram o piá acordar.

Ok! Decidi não forçar a barra. Tinha certeza que, naturalmente, com os amiguinhos, primos, na escola, ele ia descobrir o futebol. Mas me enganei. Um dia desses vi ele brincando com uma bola tão desajeitado que não me aguentei.

Ah não! eu mesma vou ensinar esse garoto a jogar futebol.

Eu, que de Garrincha, só tenho o Mané, fiz um intensivo com ele na quadra do condomínio. Jogamos 3 dentro 3 fora (só em dois), batemos pênalti, escanteio. E não é que ele curtiu?

Mas foi quando ele quis entrar numa loja de artigos esportivos que eu realmente me convenci de que tinha tomado gosto mesmo.

Só que, pra desespero da torcida, ele não pediu uma camisa do Athletico, nem do Corinthians. Quis uma do coxa.