Neste sábado (5), em Veneza, estreou o filme A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl), que, entre outros pontos que o colocam como favorito ao Oscar, conta com o ator Eddie Redwayne como protagonista, que já recebeu a estatueta mais desejada do cinema pelo filme “A Teoria de Tudo”, e também com a direção do consagrado Tom Hooper, ganhador de vários Oscar, incluindo os filmes “O Discurso do Rei” e “Os Miseráveis”.

Uma produção inspirada em uma história real e que conta com uma equipe de sucesso com certeza já teria motivos para se tornar a favorita, mas, de acordo com Redwayne, em seu pronunciamento na estreia da obra, o filme “A Garota Dinamarquesa”, antes de tudo, é uma grande história de amor, argumento que se torna ainda mais forte com a declaração de Hooper: “Trata-se de um filme sobre inclusão, que só é possível com muita compaixão e amor”, explica o diretor.

A história, que se passa no período de transição do século XVIII para o XIX, narra a trajetória do pintor Einar Mogens Wegener, que foi a primeira pessoa transexual a passar por uma cirurgia de redesignação sexual, vulgarmente chamada de “cirurgia de mudança de sexo”. Einar se tornou Lili Elbe – na verdade, interiormente e em segredo, sempre foi -, a primeira trans a expressar sua sexualidade plenamente, algo bastante controverso para a época em que o fato aconteceu – e que ainda hoje é alvo de preconceitos, convenhamos.

O enredo se desenvolve a partir do momento em que a esposa de Einar, a artista Gerda, interpretada pela atriz sueca Alicia Vikander, pede a ele que vista uma meia-calça para que ela consiga terminar um quadro, tendo em vista que a modelo, uma bailarina, não compareceu ao compromisso. A partir deste momento, Einar entra em contato com a sua essência e percebe aquilo que nunca havia admitido nem para si mesmo: era uma mulher. Inicialmente, tal informação coloca o casal em crise, mas com o intuito de mostrar que o amor ainda é capaz de superar complexos obstáculos.

O passado que se encaixa no presente                  

A obra, aplaudida pela crítica em Veneza, traz à tona uma das discussões que estão em alta no Brasil e que geram polêmica e, claro, violência contra as pessoas LGBT: a diversidade sexual.

Em 2009, por exemplo, o Paraná foi o primeiro no ranking de estados brasileiros que mais matam pessoas travestis e transexuais, dado revelado pelo Grupo Gay da Bahia, uma das organizações não governamentais mais antigas do país e que há 40 anos realiza o levantamento dos assassinatos de pessoas LGBT no Brasil e no mundo.

Apesar de o filme ter estreado recentemente em Veneza, por aqui ele só chega em fevereiro de 2016, o que nos deixa completamente ansiosos e já de olho nas filas das sessões de pré-estreia. Afinal, não podemos perder uma história real, sensível, atual apesar do século, que promove os direitos humanos e que, além disso, conta com aquela magia que a Universal Pictures sempre apresenta ao público.

E aí, ficou com vontade de assistir também? Claro que separamos o trailer legendado para você.