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O jeito ácido e os comentários bem humorados são conhecidos do público da Internet há, pelo menos, cinco anos, tanto no site como no YouTube. Afinal, são mais de 700 mil inscritos no canal de vídeos Acidez Feminina engrossando o “bandiputo” que segue o trabalho de Tatiane Ferreira. Ou simplesmente Taty.

Parte desta turma conferiu na última terça-feira (05), na Livraria Curitiba do Shopping Palladium, o lançamento do primeiro livro da autora: Manual da Mulher Bem Resolvida.

Um livro que, apesar do título, também atinge o público masculino. Ao final da noite de autógrafos e bate-papo, conversei com essa mineira de Araxá com exclusividade para o Curitiba Cult.

Como toda boa mineira, uma mulher “boa de prosa”. E alguém que, apesar da acidez nos vídeos e textos, é uma pessoa dócil. Ou, como a própria Taty se define, “um gatinho persa numa pele de leão”.

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Foto: Cássio Bida

Curitiba Cult: Como surgiu a inspiração para o seu trabalho na Internet?

Taty: Na verdade foi uma coisa meio automática. Eram coisas que eu já gostava de conversar com amigas, amigos, família e eu passei a escrever sobre isso. A inspiração de início vinha muito das coisas que eu observava e passava na minha própria vida pessoal. Depois passou a ser muitas coisas que os leitores mandam pra mim. Eles passaram a me abastecer e aí não precisei mais ficar pensando muito. O pessoal mesmo já dava o tema.

CC: E a partir daí que surgiu o material para o livro…

Taty: Exatamente. O livro inclusive tem algumas histórias de e-mails que eu recebi e replico no livro, nos vídeos, no blog… Todos os canais que uso para expor a minha opinião são mantidos pelos leitores. O que eu faço é só passar o que eles mandam e acrescentar alguma coisa em cima daquilo. Devo tudo aos leitores.

CC: O título é Manual da Mulher Bem Resolvida. Você se considera uma mulher bem resolvida?

Taty: Eu me considero muito bem resolvida. Eu acho que tem que vir da gente primeiro se considerar bem resolvida. E depois das pessoas também. Algumas pessoas dizem que sou bem resolvida. Mas não é uma regra. A minha maneira de ser bem resolvida talvez não se encaixe pra muita gente. Mas tem muita gente que se identifica. E é por isso que eu fiz o livro.

CC: O livro tem muitas histórias sobre a arte do relacionamento, tanto de experiências pessoais como as de leitores. O que você procura absorver dessas experiências e histórias para a sua vida pessoal?

Taty: Tudo. Inclusive, as vezes, nem penso em várias coisas. Com os e-mails dos leitores, as histórias que eu recebo, paro pra pensar sobre aquilo e formar uma opinião. Todo o livro e todos os vídeos me ajudam muito. Alguns vídeos e histórias do livro sou eu falando para eu mesma em alguns momentos que não consigo racionalizar um problema ou uma situação. E o livro vai servir demais pra mim, com certeza.

CC: Desses e-mails inclusive nasceu uma sessão no blog e no YouTube que é uma das mais famosas chamada “cabecinha no ombro” onde você presta um auxílio aos leitores e dá sua opinião sobre as histórias. Diante de tantas histórias que passaram por lá, qual foi a mais “cabeluda” que você recebeu?

Taty: Eu recebo muita história bizarra, que me assusta. Tem uma situação que recebo direto e que continua me assustando muito. São adolescentes de doze anos com perguntas como: “A minha namorada não quer perder a virgindade. Como que eu convenço ela a perder a virgindade?” E isso me assusta demais. O cara querer convencer alguém perder a virgindade. Namorado ainda, nessa idade. É uma coisa que acho muito “cabeluda” mesmo. Ninguém convence ninguém. Tem que ter paciência. Se você gosta mesmo da menina, você vai saber esperar o tempo dela. Toda vez que recebo histórias assim, não me canso de me surpreender e ficar embasbacada. Sempre penso: “Meu Deus, não é possível que isso existe”.

CC: Durante o bate-papo com os leitores você citou o caso de um senhor de 52 anos que te agradeceu pela linguagem acessível ao abordar questões de educação sexual. Você acha que esse é um legado bacana que está deixando para a galera mais jovem na internet?

Taty: Quando faço um vídeo, eu não penso assim: “Vou fazer esse vídeo porque as pessoas tem que saber dessas coisas”. São coisas que eu gostaria de falar e eu falo. Todo mundo é curioso para saber o que o outro está fazendo na vida íntima dele. E eu falando pode ser que a pessoa mate um pouco dessa curiosidade. Mas se isso pode ser levado para o lado positivo, e pode ajudar alguém, é sensacional pra mim. Eu fico lisonjeada e muito orgulhosa de poder fazer um trabalho legal. Eu fiz um vídeo que se chama “Camisinhas e Anticoncepcionais” que foi passado em uma escola pública de Ensino Médio. A professora me mandou uma mensagem falando “Olha, precisava de um material para ilustrar a aula e eu achei o seu vídeo”. E eu falei “Caraca, que massa!” Nessas horas vejo o valor que tem falar sobre todas essas coisas.

CC: Voltando ao canal do YouTube que conta com 700 mil inscritos. Uma das sessões novas de sucesso é o Café com Taty. Como surgiu a ideia para o quadro?

Taty: Esse quadro foi bem interessante. Eu tenho direto esses lapsos de “nonsense”, em qualquer situação, não só tomando café. As vezes penso umas coisas muitas cabulosas e externo isso. E um dia estava tomando café da manhã com o meu namorado. E eu falei uma coisa… Até um vídeo que eu fiz sobre conservantes, que nem era tão legal assim, só era uma maluquice que eu tinha pensado. E ele falou “nossa, você devia fazer uma sessão que você fala essas coisas malucas que você fala”. Porque ele “racha os bicos”. Eu falei “Não vai rolar. Só você que acha graça. Porque você tá aqui”. E ele falou “faz, tenta”. Aí fiz o primeiro vídeo e o pessoal pirou. Eu falei, legal! Eu costumo falar que as pessoas que gostam do Café com Taty são as melhores pessoas. Porque entendem a minha falta de senso.

CC: E tudo é aleatório e espontâneo nesse quadro?

Taty: É tudo espontâneo, aleatório. São coisas que eu já pensei e eu repito ali na hora. Tem algumas coisas que eu penso: “Preciso gravar um Café com Taty”. Eu sento e sai aquela baboseira toda.

CC: Você falou de algumas novidades que estão vindo no Canal do Youtube. Uma delas é o “Mão na Massa”, sessão dedicada ao faça você mesmo, agora em versão masculina. O que vem mais por aí?

Taty: Eu costumo dizer que tem novidade toda terça e quinta. Sempre tem um vídeo novo toda terça e quinta. E agora estou tentando colocar vídeo aos sábados também. Uma coisa que pretendo voltar é esse “Mão na Massa”, ensinando homens a fazer trabalhos “tipicamente femininos”. Acho que vai ser bem legal, porque o primeiro Mão na Massa foi muito bem aceito. Tem um pessoal que me encontra na rua as vezes e pensa: “Nossa, te conheço de algum lugar”. E depois passa um tempo e fala assim: “Lembrei! Eu aprendi a trocar chuveiro com você”. E é muito legal isso. Espero que essa novidade, que é a volta dessa sessão, seja bem aceita também.

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Foto: Cássio Bida

CC: O legal é esse feedback que você recebe do público. Como você analisa a receptividade do povo de Curitiba vindo nesse lançamento?

Taty: Foi muito legal! O pessoal costuma falar que o curitibano é frio. Eu não senti nada disso, não. O pessoal foi muito carinhoso comigo, apareceu aqui, conversou, fez pergunta, trocou ideia, ficou aguardando um tempão pra me dar um abraço, ter uma assinatura. Eu não sei não. Quem falou isso aí tá errado, cara! (risos)

CC: Mudando de assunto, como é a Taty fora das câmeras do Acidez Feminina?

Taty: Eu sou fofa, na verdade. Eu sou um gatinho em pele de leão. O fato de ser muito alta e falar um tanto de coisa no YouTube que é editado, por eu mesma, falar as coisas com mais entonação e até com uma certa agressividade, faz a galera pensar que eu sou meio agressiva. Na verdade, não. Eu sou um gatinho persa numa pele de leão. Sou super de boa, tranquila, leve. A maioria das coisas que eu falo no livro e nos vídeos são coisas que eu realmente penso e levo para minha vida. Mas se eu for conversar com você não vou ficar falando daquele jeito que falo no canal. Vou falar normal. É porque daquela maneira prende mais o leitor, o espectador do canal.

CC: Você falou sobre planos para um segundo livro. O que pode vir nesse segundo livro? Talvez um Manual do Homem bem resolvido?

Taty: Tenho um tio que falou que agora tenho que fazer o Manual do Homem Bem Resolvido (risos). Na verdade, tenho conversado com a editora. Temos algumas outras ideias, mas não vai seguir essa linha. São coisas diferentes. Vou aguardar mais um pouquinho pra ver como que vai esse. Até agora estou achando que foi ótimo. Mas prefiro esperar mais um pouquinho pra depois saber, conversar mais sobre isso. Eu sou um tanto quanto insegura nessa nova área que eu estou entrando, que não sei como funciona…

CC: Mineira, desconfiada…

Taty: É, pé atrás, come quieto. Faço as coisas e não falo muito.. (risos)

CC: Você passou um tempo pelo Canadá e agora, em meio a este lançamento, você está vivendo também a experiência de morar em Manchester. O que você carrega dessas duas experiências suas no exterior?

Taty: O Canadá me amadureceu muito. Costumo dizer que amadureci dez anos em um ano e meio. Fui pra lá sozinha, sem falar nada de inglês. Tive que me virar, trabalhar, fazer todas as coisas. Foi uma experiência muito válida pra mim. Apesar de ter ido pra trabalhar como faxineira e algumas pessoas ficarem com pena quando falo isso. Pra mim isso é motivo de orgulho, foi uma coisa que me fez crescer demais. E agora é totalmente diferente. Continuei com meu trabalho de blog e YouTuber. Estou lá só estudando inglês e viajando pra fazer os vídeos. São duas experiências totalmente diferentes. Mas uma coisa que a Inglaterra me fez perceber é que não troco o Brasil por lugar nenhum. Experiência fora é muito legal, é muito legal morar fora, o pessoal é legal, os lugares são lindos, muito bem organizados. Mas aí me fez perceber isso, que eu gosto do Brasil e eu quero ficar aqui. Viajar faz parte de mim também, é uma coisa que eu gosto muito. Falo que não sou baladeira, sou muito caseira. Mas quando me perguntam: “Quer viajar?”, tô dentro!

CC: Então muito breve voltaremos a ver aquela estante, cenário recorrente dos vídeos gravados no Brasil, cheia de livros nos próximos vídeos.

Taty: Com muito mais livros agora, inclusive o meu. Vai sim, não demora, tá lá!