A password will be e-mailed to you.

Em uma semana de grandes títulos estreando nas telas brasileiras, Lady Bird: É hora de voar merece atenção especial. Com um andamento bastante agradável, o filme mostra de maneira delicada toda a confusão da adolescência comum. Christine “Lady Bird” (Saoirse Ronan) é uma adolescente com inclinações artísticas que deseja sair de Sacramento para cursar a faculdade em uma cidade mais “digna” de sua personalidade. Para alcançar esse objetivo, Lady Bird faz inúmeros planos, porém, sua mãe sempre tenta fazer com que a menina seja mais realista, gerando o conflito que ocupa boa parte da narrativa.

A sinopse pode sugerir que o filme, primeiro trabalho solo da diretora Greta Gerwig – que também assina o roteiro –  é mais um filme de drama adolescente. E é: Lady Bird age da maneira inconstante e imatura típica dos 17 anos, não aceitando conselhos e demonstrando sempre uma superioridade imaginada por ela mesma. A diferença gritante entre essa e outras obras que tratam dessa fase da vida é que em Lady Bird, Gerwig não busca falar apenas com o público adolescente, mas com todos nós, que já passamos por esse conturbado período da juventude. Entretanto, mais do que uma narrativa das dores do amadurecimento, o longa é uma ode à importância das raízes (aqui representadas por Sacramento) e dos relacionamentos.

Lady Bird tem feito sucesso entre a crítica especializada. Levou, no Globo de Ouro, os prêmios de melhor filme comédia e melhor atriz. No Oscar o filme tem cinco indicações, sendo elas para melhor filme, melhor atriz (Saoirse Ronan), melhor direção, melhor atriz coadjuvante (Laurie Metcalf) e melhor roteiro original. Poucos têm mencionado o filme como favorito ao prêmio principal, mas se tem uma coisa que sabemos sobre o Oscar é que ele pode surpreender. Por ser um filme leve, diferente do padrão geralmente apreciado pela Academia, as indicações aos cobiçados prêmios de melhor filme e melhor diretor já merecem comemoração.

Uma das grandes qualidades do filme é permitir a quem assiste, um entretenimento leve, sem a necessidade de muita reflexão na busca por catarse. A história se desenvolve de maneira fluída e constante e são os próprios personagens (principalmente Lady Bird e sua mãe) que assumem a tarefa da reflexão. Em um filme que nos cativa apesar do comportamento questionável de sua protagonista, Gerwig nos entrega constatações mastigadinhas sobre os relacionamentos familiares, os sonhos, o amadurecimento e a vida. E nós, os que já perceberam que “voar” na vida adulta não é tarefa fácil, agradecemos a cortesia.