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Foto: Evelyn Bueno/Curitiba Cult

Ana Carolina tem seu público cativo. Durante seus shows, fica claro o fanatismo dos fãs – sobretudo das mulheres. Na última sexta-feira (22), vozes femininas invadiram o Teatro Guaíra, em Curitiba, gritando elogios, cantadas e declarações de amor.

Em quem acompanha menos o trabalho da cantora, por outro lado, a apresentação causou certo choque. Na abertura, quando começava a soar “ela rebola, rebola, rebola”, refrão de “Pole dance”, os sussurros espantados se espalhavam. “O que é isso?”, perguntava a moça ao lado.

Esqueça a cantora de “Elevador”. A Ana Carolina da vida real não é tão pop, nem romântica. Tem a postura séria, mas é abusada. Esfrega toalhas pelo corpo antes de jogá-las à plateia. Faz música para poucos paladares.

Da mesma forma, as canções do disco “#AC” podem ser um tanto quanto indigestas. A performance, nem se fala. Numa parte do show, para reforçar a pegada tecnológica do novo trabalho, a cantora fica imóvel, enquanto é projetada, em tempo real, numa segunda tela, aparentemente de vidro, logo ao lado. Um tanto quanto redundante. O desperdício de potencial incomoda. Para arrematar, ainda há uma questionável releitura do funk “Piriguete”.  Fica a clara impressão de que nem sempre é bom tentar reinventar a roda.

Ouso dizer que o espetáculo só não deixa de valer a pena pela genial “Resposta da Rita”, composta para responder à clássica “Rita”, de Chico Buarque. Também merecem destaque a batalha de pandeiros e o cover de “Coração Selvagem”, do Belchior.

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Batalha de pandeiros no Teatro Guaíra| Foto: Evelyn Bueno