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A ignorância é mãe de todos os males, irmã do preconceito, sobrinha da burrice, madrinha da intolerância, casada com o desrespeito, pula a cerca com a violência em um affair lésbico, frequenta o mesmo clube de verão que a incompetência, sai beber com a burrice toda sexta-feira, montou um clube do livro com o obscurantismo, no qual só leem os livros de E. L. James, e passa os domingos com seu filho, bullying, assistindo aos filmes de Rob Scheneider, em versão dublada, na Netflix.

Como sou contrário ao movimento de que é melhor já ir se acostumando a esse tipo de pensamento simplista, resolvi embarcar em um experimento para descobrir todo um novo modo de pensar o alimento e seus desdobramentos sociais, ambientais e salubres. O desafio auto-imposto era manter uma alimentação totalmente vegana durante o período de 7 dias. Uma semana toda em que eu não poderia ingerir nenhum tipo de alimento que tivesse qualquer origem animal. E eu não estou falando de uma dieta ovolactovegetariana, em que ovos e leite são aceitos. A ideia era eliminar todo e qualquer resquício animal das refeições para perceber quais seriam os efeitos.

Mas afinal, o que é esse clube secreto vegano que transforma totalmente a cabeça e a vida de seus membros?

Para quem não sabe, o veganismo é uma seita satânica criada pelo comunismo, durante a revolução cubana de 59, que tem o intuito de derrubar o capitalismo ao desestruturar a indústria pecuária para, dessa forma, instaurar uma ditadura verde do brócolis  e do alecrim.

Ou, na verdade, como define a britânica The Vegan Society, primeira entidade voltada ao veganismo do mundo, ser vegano é:

“A philosophy and way of living which seeks to exclude—as far as is possible and practicable—all forms of exploitation of, and cruelty to, animals for food, clothing or any other purpose; and by extension, promotes the development and use of animal-free alternatives for the benefit of humans, animals and the environment. In dietary terms it denotes the practice of dispensing with all products derived wholly or partly from animals.”

Em tradução livre:

“Uma filosofia e um estilo de viver que busca excluir – na medida do possível e do praticável – todas as formas de exploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, vestuário ou para qualquer outro propósito; e, por conseguinte, promover o desenvolvimento e uso de alternativas sem origem animal para benefício dos seres humanos, dos animais e do meio ambiente. Em termos alimentares, isso significa substituir todos os produtos derivados inteiramente ou em parte de animais.

Substituir todos os produtos alimentícios derivados inteiramente ou em parte de animais. É esse o grande e único mandamento vegano. A pedra fundamental que guia toda uma cultura de aproximadamente 5 milhões de pessoas só no Brasil, segundo estimativa da Sociedade Vegetaria Brasileira, um mercado que cresce 40% ao no país e um faturamento de 55 bilhões de reais no setor de produtos naturais, em 2015, de acordo com a Associação Franquia Sustentável. No entanto, decidi que outros aspectos do veganismo, como o uso de vestuários e utensílios que tenham alguma origem animal, não seriam o meu foco e que me ateria apenas à prática alimentar.

Dia 1

O Veganismo e a Pedra Fundamental

No início tudo era escuridão. E sendo fã inveterado de carne de porco – e faço questão de salientar que uso aqui “inveterado” no sentido “firmemente estabelecido por longa persistência” –, nunca dei muita atenção ao conceito por trás do vegetarianismo ou veganismo. Então, antes de tudo, era preciso chegar à luz e, como ensinou Bilu, buscar conhecimento. E no começo são muitas questões. O que comer? Só pode vegetais? Quais as fontes de proteína? O Devorador de Mentes voltará na terceira temporada?

Animado, saio em busca de um café da manhã. Passei na panificadora e perguntei o que havia de opção vegana. A única coisa era um pãozinho, todos os demais produtos continham traços de ovos ou leite. Comprei duas unidades. O pãozinho era, na verdade, um agregado sólido mineral rochoso feito com grão de bico. Impossível de mastigar e provavelmente mortal ao seu ingerido. Assim começava minha saga vegana.

Resolvi então conversar com três amigos, cada qual em um degrau diferente de conversão ao veganismo, para pegar dicas de lugares, receitas, substituições e, principalmente, entender o que os impelia a adotar esses novos hábitos de vida.

O primeiro foi Pedro Henrique Bavaresco. O Pedro se considera vegan-friendly, ele ama tudo relacionado a este estilo de vida, contudo, por conta dos exercícios físicos que pratica e da necessidade de realizar entre 7 a 9 refeições por dia, tem algumas dificuldades em colocar em andamento seu plano de dominação mundial veganista. “Força no grão de bico ou na lentilha. Amaranto ou quinoa também. Caso contrário, sentirá o peso do carboidrato” ele me diz, logo no início da conversa. A princípio, não entendo inteiramente o que quer dizer, mas lembrarei dessa penosa dica mais pra frente. “Vá o GreenGo. Melhor custo benefício”, ele me indica.

Sigo o conselho e vou lá para almoçar. O Greengo Vegetarino é um pequeno restaurante, na região do Batel, bem decorado, com uma boa variedade de pratos e que faz bastante sucesso no Instagram. Já havia visto inúmeros stories e fotos dos pratos, sempre recheados de folhas, leguminosas e grãos. O prato sensação da casa é o Buda Bowl, uma combinação de proteínas vegetais, carboidratos, legumes, salada, molho e crocante personalizado pelo cliente. Monto minha Cumbuca do Buda (já fiz aqui nesta coluna o comentário ufanista de que cumbuca é uma palavra muito mais legal do que bowl) e peço um delicioso suco de melancia com canela.

Visualmente, a combinação que monto não é a mais eficaz para angariar likes no Insta, mas, no sabor, é um ótimo prato, capaz de agradar todos os paladares. O prato é equilibrado, com sabores ricos e tem opção de batata rústica. Uma refeição com batata é sempre um refeição feliz. Esqueço a pedra do café da manhã e volto a me animar com o experimento.

Dia 02

O Veganismo e as Paradas Secretas

Começo a descobrir alguns segredos da maçonaria vegana como, por exemplo, veganos jantam.

Passei o jantar da noite anterior apenas com banana e aveia, porque me esqueci de me planejar direito. Por isso, resolvo criar um cronograma do que farei nos próximos dias.

Para tal, sigo alguns conselhos de outra pessoa que me ajudou durante a semana, a produtora cultural Ana Hupfer, que já é grã-mestra da loja vegetariana e aos poucos evolui para o degrau máximo do veganismo. “Em geral, é muito difícil comer fora de casa”, começa ela. “Há vários pães que são veganos. É importante olhar a composição deles na embalagem. Tofumelete é outra opção de café da manhã e fica delicioso com sal negro. E abacate é ótimo para comer com pão”, são algumas das várias dicas que ela me passa.

Olho a geladeira e os armários. Nada. Só banana e aveia. Vou ao Templo Vegano mais próximo, o sacolão da Anita Garibaldi, e escolho frutas, vegetais e raízes que servirão para a semana, principalmente para os momentos entre refeições maiores.

No almoço, tenho uma reunião em um buffet convencional, no centro. Chegando lá, lembro de outra dica da Ana: “Pergunte tudo. Se tem algum tipo de origem animal, quais os ingredientes e etc.”. Às vezes o feijão parece indefeso, mas pode ter porco ou caldo de carne. É uma tarefa árdua comer em um lugar não vegano. As opções se restringem basicamente a carboidrato, fritura e salada. Quase nada de proteína. Nada de grãos, como o Pedro Henrique indicou.

Após o almoço, passo em um café e pergunto se há alguma opção de doce vegano. As atendentes parecem não compreender as palavras que saem da minha boca. Explico vagarosamente que quero alguma sobremesa que não tenha nenhum traço de origem animal entre os ingredientes. Elas conversam entre elas, por um tempo, depois perguntam a outra atendente, que parece mais experiente, e retornam, dizendo que tem uma opção de sobremesa apenas, mas que é salgada. Agradeço e saio com um sorriso amarelo.

É aquele tipo de situação quando oferecem salsicha ou embutidos como opção vegetariana. De modo geral, as pessoas parecem não entender o que é veganismo e poucos estabelecimentos estão preparados para atender essa parcela consumidora.

Um doce depois do almoço é essencial, por isso, passo na FunFit, uma franquia especializada em doces fits, funcionais e veganos, e pego um pote de verrine de uva, feito com uma massa de castanha, uva verde e chocolate. O sabor e a textura são ótimos. O preço nem tanto.

Para o jantar, compro um sanduíche no Brooklyn Café. Não há opções veganas no cardápio, mas é possível retirar alguns ingredientes e substituí-los por outros para atingir o objetivo. Alertado por alguns seguidores dos stories da saga, acabo descobrindo sobre algo chamado contaminação cruzada. Cozinha em que se prepara carne, não é boa cozinha para se preparar comida vegetariana/vegana. Os utensílios – como chapas, talheres e tábuas – podem ser compartilhados e carregar traços de origem animal às refeições.

É realmente muito difícil comer fora de casa quando se é vegano. A não ser que seja um lugar preparado e estruturado para isso.

Dia 3

O Veganismo e o Prisioneiro do Capitalismo

O Veganetes tem uma coisa revolucionária pela causa. A tia faz marmitinha gostosa a cinco reais. Para mostrar que comida vegana não é para ricos”. Esta é a mensagem que recebo do Luiz Bertazzo, ator e roteirista que já atingiu o grau de vegetariano completo e, aos poucos, galga os próximos para o veganismo, quando pergunto sobre os lugares que ele frequenta.

A relação entre hábitos veganos e política é muito forte e começo a perceber que é impossível dissociá-las. Isso fica evidente quando posto que comprei uma caixa de leite vegetal, feito à base de arroz e baunilha. “Leite vegetal a gente faz em casa. Comprar incentiva um tipo de consumo desnecessário”, me corrige o Pedro Henrique. Recebo outros comentários nos stories concordando com esse pensamento. Não é apenas sobre trocar o leite de vaca pelo vegetal, é sobre não incentivar certos tipos de produção igualmente nocivos, mesmo que vendidos com o selo vegano. “Você começa a ter mais cuidado para quem você dá o seu dinheiro”, conclui Bertazzo.

Mesmo o veganismo criado como lifestyle para redes sociais e já absorvido pelo capitalismo, mantêm os traços originais de combate ao sistema. Mas como atesto em uma passada no shopping, essa absorção é ainda muito lenta. De todos restaurantes da praça de alimentação e dos cafés, nenhum tem opção de almoço ou lanche vegano. Soa como um erro grosseiro um shopping desconsiderar essa parcela de público. Apenas a Gelateria Freddo dispõe de alguns sorvetes preparados sem traços animais, incluindo um gostoso Vanilla Bourbon. Ou o negócio é se contentar com salada de folhas.

Desisto de almoçar no shopping e vou ao Viva La Vegan – Bike Café, um restaurante próximo ao Passeio Público de visual underground e atitude contestadora marcante. Lá eles servem todos os dias um prato especial, além dos salgados e doces no balcão e de artigos para ciclistas numa lojinha anexa. O lugar me parece a primeira experiência vegana autêntica completa. Eles não servem apenas comida, eles querem transmitir uma mensagem. O prato do dia é baião de dois, servido com mate, ao preço de R$ 15,00. É um prato BB, bom e barato. O terceiro B, de bonito, não se adequa muito, mas isso não tira o mérito de forma alguma.

Em seguida, passo no Veganetes e pego uma marmita para comer mais tarde, no jantar. A pequena lanchonete fica escondida dentro do corredor de um prédio e serve todos os dias a tal marmita de R$ 5,00, além de pastéis, pães de queijos e produtos sazonais. A tia que faz a comida, mencionada pelo Bertazzo, se chama Sibila, ou Si, como prefere, prepara todos os dias arroz, feijão, salada, farofa e um acompanhamento, que pode ser nhoque, bife vegetal e o que a criatividade sugerir. A comida  é excelente e instantaneamente me torno fã do lugar, da proposta acessível e do humor da Si.

Dia 4

O Veganismo e o Cálice com Traços Animais

O quarto dia é reservado para grandes e determinantes revelações.

Como na noite anterior participei de um evento e postei que tomei algumas taças de vinho, me assusto ao  receber um alerta da Ana. Certos vinhos podem não ser veganos!

Como assim?!

Vou pesquisar e descubro que muita coisa aparentemente inocente pode conter traços animais. E isso inclui bebidas alcoólicas. Cervejas industrializadas, que encontramos no mercado diariamente, são praticamente todas não veganas. A cor avermelhada do Campari vem de um inseto chamado conchonilha.

Ou seja, para ser vegano é preciso anos e mais anos de estudo e treinamento até o nível jedi. Ou dar um Google em tudo que você vai comer.

Como álcool é algo pelo qual tenho muito apreço, fico preocupado com o andamento da experiência, visto que o final de semana se aproxima. Por sorte, descubro que existe um site chamado Barnivore, que identifica se uma bebida é ‘Vegan Friendly’, ou ‘Has Some Vegan Options’ ou ainda ‘Not Vegan Friendly’.

Ele funciona bem se você toma bebidas não fabricadas no Brasil, como vários destilados, cervejas importadas e vinhos, e ainda lista uma série de apps para ter a mão um meio mais ágil de identificar e pesquisar sobre bebidas vegan.

Dia 5

O Veganismo e o Largo da Ordem

Sábado. É o dia pelo qual mais anseio.

Começo com um café da manhã no Largo da Ordem, mais especificamente no Natural da Ordem, que serve almoço, lanches, sucos e doces. Este já é um lugar conhecido há tempos por mim e o qual frequento assiduamente, desde que era uma micro-lanchonete de 4 m². Peço um smoothie, que serve como uma refeição completa.

De lá, sigo para o Dom Veggie. Dia de feijoada!

A esta altura, já me acostumei à dieta e não sofro pela ausência de carne nas refeições. Mas como amo porco, resolvo experimentar a feijoada para enganar um pouco os sentidos. O restaurante serve um enorme buffet aos sábados, com a opção de feijoada vegana completa inclusa. É uma grande variedade de pratos, que provam que há um universo de texturas e sabores no vegetarianismo/veganismo. Alguns pratos contêm ovos ou leite, no entanto, todos são devidamente identificados. Sirvo-me de feijoada, que se assemelha muito à tradicional, e o efeito alcançado é o mesmo da versão clássica: depois de comer você fica pesado, sonolento e desejando só cair num sofá para dormir a tarde toda. Não deixou nada a desejar.

Na sequência, vou à Doces e Cores, uma confeitaria totalmente vegana, na região do Bom Retiro. O lugar tem uma variedade enorme de cafés, doces, salgados, sucos e cervejas. Pego uma fatia de bolo de morango com chocolate e um café com leite de amêndoas.

Os doces veganos comumente têm aspecto farelento no paladar, similar a cereais integrais, mas começar a gostar e apreciar esse detalhe é só uma questão de costume. O bolo é delicioso e bem equilibrado no açúcar. Mas o café é a sensação. Leite de amêndoas é uma das invenções mais incríveis da história humana e combina com café de um jeito que leite de vaca jamais vai conseguir igualar.

Pra fechar o dia das gordices, meu jantar é um cachorro-quente do SuperDog. Criado em 2004, o SuperDog, situado no Cabral, foi um dos primeiros estabelecimentos de Curitiba a incluir opções vegetarianas no seu cardápio. Eu conheci o lugar há mais de 10 anos, quando era administrados pelos donos originais, o casal Paulo e Mamá. Foi a primeira vez que escutei sobre veganismo e pude experimentar algo desse tipo e começar a entender o conceito por trás. Em paralelo ao estabelecimento, os dois mantinham uma banda de hardcore punk com letras incisivamente políticas. Na época, ainda adolescente, não compreendia totalmente o discurso, mas considerava-o o melhor cachorro-quente da cidade, por isso estava sempre lá e, aos poucos, fui abrindo a cabeça para o discurso promovido pelos dois. De lá pra cá, o lugar passou por outros donos e acabou perdendo qualidade e personalidade, mas ainda é um bom lanche.

Dia 6

O Veganismo e o Enigma do Príncipe (Não consegui pensar em um trocadilho)

Domingo. Dia internacional da ressaca.

Pulo o café da manhã e vou direto ao Straveganzza para almoçar. Confesso que demorei entender o trocadilho por trás do nome do restaurante, com um ‘vegan’ no meio. E demoro mais ainda para entender a decoração do lugar, com cores pesadas, arquitetura de gosto duvidoso e objetos decorativos feitos com cortiça.

Como diz o ditado, quem vê fachada, não vê cozinha. E a comida é uma grande surpresa. Criativa, com sabores bem destacados e apresentadas com muita elegância. As entradas são o destaque. Bolinhos de batata-roxa com recheio de jaca desfiada e pastéis de cogumelo. Duas opções cheias de cores e sabor.

O prato principal é polenta frita com cogumelos de vários tipos. Você realmente sente o sabor dos cogumelos. E essa parece ser uma vantagem em estabelecimentos veganos e vegetarianos sobre os demais, os chefs conseguem tirar o máximo de proveito dos ingredientes que podem usar, dando o destaque devido a vegetais, legumes, frutas e fungos e não os colocando como coadjuvante.

Pra compensar, o jantar é uma vitamina de leite vegetal, com castanha, banana e farinha de chia. Uma receita rápida, fácil e eficaz para momentos de preguiça.

Dia 7

O Veganismo e as Relíquias da Dieta Vegana

Último dia da dieta.

Já consigo comer coisas rápidas e pequenas sem ter que me planejar ou pesquisar muito. Rotina é uma coisa imprescindível em toda e qualquer dieta.

Resolvo almoçar em outro restaurante que frequento regularmente, o VegLev. Mas dessa vez, não ficarei nas opções Lev, geralmente com frango ou peixe. A cada dia há pratos diferentes no almoço. Tenho a sorte de ir no dia que tem o Chili Vegano, prato que sempre me despertou curiosidade. Salada de entrada, mate para acompanhar e o prato chega. O chili de proteína de soja é praticamente idêntico ao original. Já as tortilhas veganas são mais gostosas e crocantes.

Para tudo no universo carnívoro, existe um substituto vegano. É possível se tornar vegano sem mudar muito seus hábitos e preferencias. O importante é saber aonde ir ou conseguir boas receitas.

Isso me lembrou de um questionamento antigo, a eterna tentativa de compreender o porquê de vegetarianos e veganos insistirem em manter nomenclaturas como ‘carne de soja’, ‘bacon vegano’ ‘omelete de tofu’. Em Nova York, por exemplo, existe até um restaurante que serve um hambúrguer vegetal que emula o sangramento da carne. Parecia masoquismo associar toda uma dieta livre de carne e ovos à carne e ovos.

Só que os veganos têm uma questão ética com o abuso e sofrimento animal. Eles não necessariamente tem problema com o sabor defumado de um grelhado. E qual é nome que se dá a um bife grelhado envolto em salada, molho e pão? Se o bife é de alcatra, costela ou mandioquinha faz diferença? E o bacon não é propriamente a barriga do porco, mas sim um processo de cura da carne que envolve temperos e tempo. Por que o mesmo não pode ser feito com produto de origem vegetal?

Além disso, muitas pessoas se tornam veganas ao longo da vida, seja por inclinação moral ou questões de saúde. Manter nomes e aspectos de comidas as quais já estão habituadas facilita o processo de conversão.

Mas acima de tudo, aprendi que eles colocam esses nomes porque não dói. Não dói chamar PTS de carne de soja. E não agride ninguém diretamente. É só um nome.

E esse foi apenas um dos aprendizados.

Mesmo a curto prazo, os benefícios de uma dieta vegana foram evidentes. Perda de gordura abdominal, a sensação de cansaço e peso após refeições é quase inexistente e uma economia financeira foram alguns deles. No entanto, é certo de que não me tornarei vegano. Eu considero o ato de cozinhar um processo químico e físico de extrema beleza, que, de certa forma, presta uma homenagem a cada ingrediente utilizado no preparo, independente da origem.

Mas esta semana vegana, comendo, vivendo e lendo sobre, me fez rever processos. Se o resultado gastronômico do ingrediente é tão importante, por que o início/origem dele não pode ser? Existem formas de comer carne que sejam menos nocivas? O que é possível substituir totalmente no dia a dia?

O experimento começou com várias questões e dúvidas e terminou com inúmeras outras. A diferença está na qualidade das questões e das dúvidas. Aquelas que se fazia por ignorância foram substituídas pelas que se faz por ter o conhecimento. E acredito que esse já seja um passo para se considerar um jovem padawan dentro desse universo.

Sendo um niilista, não acredito que essas micro-revoluções possam surtir algum efeito no mundo. Contudo, assim como a evolução humana consiste em minúsculos passos de cada vez, talvez o vegetarianismo e o veganismo sejam etapas seguintes da condição humana. E estudo apontam isso.

No momento, algumas pessoas vão continuar comendo carne, outras não. E no final, independente da crença, todas elas só querem algo que lhes traga paz de espírito.

O importante é se informar e não ser o chato que atrapalha a paz de espírito do outro.

Em tempo, compilei todos os stories da semana vegana no meu Instagram. Você pode rever tudo lá no @dimisssssssss e acompanhar os próximos, dar dicas de lugares, temas e memes engraçados.

Também agradeço à Ana, ao Pedro Henrique, ao Bertazzo e a todos os outros que foram me dando dicas e conselhos. Veganos são pessoas muito solicitas.

A seguir, tem a lista dos lugares visitados, caso queria conhecer e experimentar. Indico principalmente um jantar no Straveganzza e uma marmita do Veganetes:

GreenGo

FunFit

Brooklyn Café

Freddo

Veganetes

Viva La Vegan

Natural da Ordem

Dom Veggie

Doces e Cores

Straveganzza

VegLev