A relevância do maxixe para a música brasileira do século XX é incontestável.

De acordo com as palavras de Marcos Napolitano o maxixe foi “a base da vida musical popular do século XX”. Ele representou dentro do país o que a polca era na Europa, sua popularização já no século XIX se fazia visível, inclusive a polca tem alguma influência na formação do maxixe, através do intermédio dos chorões. A introdução de flautas e clarinetes na polca dará uma nova roupagem à música a originar o maxixe.

Porém, embora tenha se criado a partir, também, de um ritmo europeu, o maxixe no último quarto do século XIX era visto como algo inferior, música das classes populares, etc. O próprio termo maxixe é uma gíria que tinha como sinônimo chinfrim e significava “baile em habitação modesta”.

O grande responsável pela introdução e aceitação do maxixe pela elite brasileira foi o músico erudito Artur Azevedo. Quando compõe a música As laranjas da Sabina que é lançada na peça República, em 1890, esse novo gênero alcançaria o sucesso.

Apesar de Artur Azevedo ter sido o expoente da difusão do maxixe, outros nomes contribuíram muito para a sua propagação e apropriação no meio erudito, como é o caso de Chiquinha Gonzaga. A partir de uma composição sua de 1897 intitulada Gaúcho.

Com a apropriação do maxixe pelos músicos eruditos apareceram duas linhas desse ritmo; a semierudita, aproximando-se de um tango, como eram as músicas de Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth, cujas composições para piano tinham uma sofisticação técnica admirável; e a popular, que nasceu devagar, no seio dos chorões – esta era uma síntese de acompanhar um estilo de dança espevitada.

Quando o maxixe entrou em declínio e todos já o sepultavam, vimos, quase cem anos depois do seu surgimento, renascer triunfante das cinzas. Chico Buarque resgatou em sua música Bom tempo, que receberia o segundo lugar na primeira Bienal do Samba, um ritmo maxixado.