Dorival Caymmi, pela música, foi cronista da Bahia, como Jorge Amado foi pela narrativa. Por Caymmi descobrimos uma baiana que sabe mexer. Caymmi gerou-nos uma vontade de ir à Bahia, imperativo nos disse que devemos conhecê-la. Você já foi à Bahia, nega? Não? Então vá!

O baiano preguiçosamente disse “Minhas canções não chegam a cem”, Caymmi não nos contou somente como é a Bahia, personificou também o ócio produtivo. Por se prender na música intensiva e não na extensiva, ganhou qualidade. E hoje os especialistas não conseguem classificá-lo, não é samba, nem samba-canção, não passa perto de bossa, nem do choro, é outro e único universo musical, é conhecido como Caymmi.

Aos marinheiros de primeira viagem que ainda não vivem na terra de Dorival Caymmi e não sabem que o samba da terra dele deixa muita gente mole, apresento-vos…

Antes de músico, foi pintor, fazia tabuletas para lojas comerciais, isso no fim dos anos 1920, na metade da década de 1930 começou a ter aulas de violão com seu pai (não era músico, mas tinha os dotes para o violão, bandolim e piano).

Começou a cantar por acaso, fez uma visita, em 1935, com o amigo Zezinho na Rádio Clube da Bahia e quando questionados o que faziam, Zezinho mentiu que cantavam, mentiu em partes. Após insistência do funcionário, Caymmi soltou o vozerão, todos se impressionaram, inclusive Zezinho.

Em 1937 partiu ao Rio de Janeiro, queria estudar jornalismo e trabalhar com desenho, foi onde vendeu seus traços para a revista O Cruzeiro e o contrataram na Rádio Tupi, sua voz era impressionante.

Dois anos depois veio o lançamento do primeiro disco Rainha do Mar/Promessa de pescador. Ao tempo em que sua música O que é que a baiana tem? foi introduzida na trilha sonora do filme de Wallace Downey, Banana da terra, interpretado por Carmen Miranda.

E esse é só o começo, pois Caymmi viveu por quase cem anos, à sua maneira, à maneira baiana. Partiu em 16 de agosto de 2008, onze dias depois sua mulher e cantora Stella Maris também morreu, dizem que de insuficiência respiratória, de amor é mais sensato. E em 2014 comemoramos o centenário do baiano que teve o mar e a Bahia como paixão.