Sobre o amor parece que é fácil escrever. Quer motivação melhor, maior que mulher? Que uma mulher, aquela mulher. Parece fácil, não? Saudade rima com uma porção de palavras: novidade, calamidade, brasilidade, com menos alarde, talvez mais tarde. Camões a escrever sobre o amor parece mais fácil ainda, quem não seria capaz de escrever que o “amor é fogo que arde sem se ver”? Talvez todo mundo, talvez ninguém no mundo. Eu não escrevi, você não escreveu. Camões escreveu. Créditos a ele.

Agora o tempo: acho que Camões tornou-se o ático da língua portuguesa, pois nasceu antes, . Camões está para o português como Dante para o italiano, é ou não é? Nesse caso, Machado para o brasileiro (?). Nesse caso, talvez Guimarães Rosa para o brasileiro. E todos nasceram antes. Há ainda uma teoria sobre as gerações, não sei se já falei delas por aqui, mas há gerações que são privilegiadas, como a de Paris dos anos 1920. Todos os craques numa só cidade – de Dali a Hemingway. Cruzes, quanta gente boa.

Agora ficou desleal, o que fazer quando todo o mundo e todas as gerações nasceram antes? A de 1920 de Paris, a de 1920 de São Paulo, a de 1960 dos States e da Inglaterra, a de 1960 do Rio de Janeiro.

No entanto, é covardia largar os bets assim, Chico Buarque poderia pensar o mesmo. Ainda há o que ser feito, mesmo que seja ruminar o que fora feito. Falar de amor depois de Shakespeare, depois de Platão, depois de Adão e Eva? Por quê?

Porque sim! Porque amar e amor são coisas boas e delas saem boas coisas como O Que Será (À Flor da Terra). Sabe, a do Chico, que poderia ter desistido de falar do amor?

Decidi falar dela porque um amigo afirmou com muita certeza que ele compôs essa música pra falar da Ditadura e desviar do caminho os debilóides censores. Nesse caso, creio que não.

Primeiro que foi uma música feita para o filme “Dona Flor e seus dois maridos”. E o que pode estar mais no dia a dia das meretrizes que amor, que amar? Elas amam pra burro, mesmo que com falsos gemidos e mentirosos orgasmos. O que todos os avisos não vão evitar? Que está na fantasia dos infelizes? Que está na natureza? Animais amam, por vezes surgem umas humanidades como focas e pingüins.

Pensando, não é tão fácil assim por o amor no papel, não é, cara pálida?! Tem que suar a camisa para dizer que mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá, olhando aquele inferno, vai abençoar.