Em agosto de 2008, Caetano Veloso relançava seu show Obra em progresso, privilégio dos cariocas, as apresentações não foram sertão adentro. Somente no ano seguinte o público nacional e estrangeiro tomaria conhecimento do que era o show, porém desta vez chamado zii e zie.

Paralelamente a isso, Lobão deu uma entrevista ao Jornal do Brasil. Como de costume, regurgitou pelas palavras. Dentre várias coisas disse que a ”Bossa Nova é uma língua morta […] não passa de uma punheta que se toca com o pau mole”.

O Obra em progresso era um show com canções inéditas, como o próprio nome sugere, entre elas Lobão tem razão, uma ironia sobre o complexo de inferioridade do artista que entrevista sim e entrevista também precisa falar mal de Caetano Veloso, e não só dele, estão na barca inúmeros compositores e músicos de sucesso.

Ao Jornal do Brasil, Lobão também disse “eu adoro o carioca da Zona Norte, mas o da Zona Sul já estou de saco cheio. Fui criado em Ipanema, ia ao píer nos anos 70, conheço meu pessoal. Eu não tenho assunto com ninguém do Rio, nem gosto desse modelo do cara bombado, com a orelha parecendo uma couve-flor.” Ironicamente, Caetano Veloso estreava o Obra em progresso no mesmo dia da entrevista e numa casa de shows do Leblon, Zona Sul carioca, com a música Lobão tem razão.

Lobão criou uma caricatura de si mesmo, passou a proliferar discursos equivocados, gosta de gerar a polêmica pela polêmica. Caetano acertou que Lobão tem razão em deixar o país, inclusive a hashtag #tchaulobao chegou ao posto de terceiro tópico mais comentado no Twitter, após a vitória petista. Mas, tudo não passava de uma brincadeirinha sem graça, que deu falsa esperança aos brasileiros.

Em um verso da canção de Caetano diz assim, “Mais vale um Lobão/ Do que um leão”. Convenhamos que mais vale um leão do que um Lobão.