Não sou músico, já passei da fase de querer ser, mas na minha casa sempre teve muitos músicos, muito em decorrência da minha mãe que foi radialista durante bastante tempo – na verdade ainda acho que ela é, penso que esta é sua profissão, assim que sempre a vi. Esta convivência fez-me estar muito próximo do universo musical. Grandes músicos passaram lá em casa, lembro de cara de Dominguinhos, que músico! e que personalidade, gentil, doce e amável.

Os da cena local vão lá com mais freqüência. Mais fácil, todos na mesma cidade. Aprendi muito ouvindo as histórias de Vicente Ribeiro, Suzie Franco, Alvaro Ramos, que é quem comanda toda a Gramofone, produtora e gravadora, e muitos, muitos, muitos outros, não dá pra falar de todos, não poderia nem falar destes para não fazer injustiça com os outros.

São diversos almoços regados a siri, música e história da música. Eu? Bem quieto, sem ousar dar um pitaco diante de tantos craques, se fizesse seria como desafiar Pelé na década de 1960 para uma pelada. Quem ousaria? Nobody!

E todos eles são muito felizes na profissão, quando estão a tocar é radiante de ver. A alegria deles contagia o ambiente, mas nem tudo são flores no caminho: falam, falaram e falarão dos percalços. Vida de música é glamourosa para quem está na plateia. De fato há o glamour, mas muitas dificuldades…

E ontem conheci mais um que está a se arriscar nesta jornada, sangue novo, com muita disposição. Não consegui contar o número de instrumentos que há em sua casa! Murilo Silvestrim tem música leve, suave, tranquila e gostosa. Sem aquelas coisas de jovens que querem fazer rock’n roll e ficam maltratando instrumentos.

Influenciado pelo fino da MPB, diz estar atento a Paulo César Pinheiro, observa analiticamente o Clube da Esquina, viaja no sertanejo de Almir Sater e cai no swing de Lenine. A esperança bate à porta, amém senhor!

Audacioso, diz não querer tocar na noite música dos outros, de pedra em pedra quer construir seu próprio castelo, com suas composições. “Ser músico para mim é um desafio”, explica. Sabe onde está a pisar, por isso se rende aos trabalhos publicitários, afinal até músicos pagam contas. São como escritores, não conseguem viver de seus livros, logo se entregam, meio que a contragosto, ao jornalismo. Mas ele é múltiplo, além da publicidade dá aulas de canto e violão e faz parte da OLA (Orquestra Latino-Americana) da Unespar.

Silvestrim faz-nos crer na música. Um aleluia, irmãos. Aleluia!