Hoje quando pensava no assunto da minha coluna (minha editora não ficará feliz que só estava a pensar hoje), caiu do céu na timeline do meu Facebook um link do Brasil Post com essas listas idiotas que dão mais cliques que as notícias da Caras. 12 músicas extremamente machistas que você canta sem perceber, o pessoal do Brasil Post começou subjugando minha inteligência, mas é óbvio que eu cliquei.

Dentre as quais nenhuma foi uma surpresa de outro mundo, “Loira burra”, “Me lambe”, duplas sertanejas, está meio mais ou menos nariz na cara. Cliquei com a expectativa de ver um Chico Buarque, um Vinícius de Moraes, talvez um Caetano Veloso, o mais inusitado era o rei a cantar “Esse cara sou eu”.

Como o pessoal do Brasil Post não se esforçou muito para escrever essa lista, resolvi eu fazê-la. Afinal, listas dão cliques, gosto de cliques tanto quanto o Téo Pereira.

Imediatamente pensei em Com açúcar, com afeto, música que o Chico fez por encomenda da Nara Leão: “com açúcar, com afeto/ fiz seu doce predileto/ pra você parar em casa” ou “Você diz que é operário/ sai em busca do salário/ pra poder me sustentar”.

Aí, fugi das canções e fui levado ao Vinicius pelas conexões cerebrais, quando terminei de ouvir a música do Chico me lembrei da frase do Poetinha no poema Receita de Mulher, (Receita de mulher? Quer coisa mais machista), “as muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”.

Comecei a pesquisar mais músicas, mas o tempo é curto e cheguei numa lista que tinha Geni e o Zepelim também do Chico, foi a gota d’água, sem trocadilhos. Mas a Geni é um travesti, logicamente que estes também podem estar sujeitos ao machismo e estão – e muito –, mas a descrição que vinha foi aterrorizante: “Tem mulher apanhando até em metáfora política. Se não fosse o Chico Buarque, não tinha perdão. Pobre Geni.”

Decidi parar.

Completem a minha lista, não com coisas previsíveis, sem funks, sem sertanejos universitários, mas com músicas extremamente machistas que cantamos, de fato, sem perceber.