Mataram minhas férias, não posso nem mais ser um morto de férias, no sol em pleno verão. Voltei! Vou ter que trabalhar. Chega de Titãs por hora.

Quando soou a campainha estridente, exagerada, irritante, pulei num susto desesperado, para me incentivar a ir à labuta dei o nome do despertador do meu celular de “vai trabalhar, vagabundo”. A tática era boa a princípio, eu leria a frase e pensaria na música do Chico Buarque (“Vai trabalhar, vagabundo / vai trabalhar, criatura”), levantaria cantando, alegre e feliz. O problema é que a letra continua: “Deus permite a todo mundo / uma loucura”. Bom, se o todo soberano permite uma loucura, vou faltar hoje. Assim caía por terra o “vai trabalhar, vagabundo”. Mais: não há como acordar feliz com estas típicas campainhas telefônicas, elas maltratam o bem-viver.

Não interessa se Deus permite ou não permite, mataram minhas férias. Eram pra ser 15 extensos dias, mas parece que os dias passaram tão rápido quanto a música do Assis Valente que diz que o sol nascia antes da madrugada.Ver sol na noite é uma consequência dos pileques – dos muitos pileques!

Estamos de volta, sob velha direção. Voltei de Pasárgada. Eu voltei, agora pra ficar. Escrever desta forma, a costurar uma citação em outra, para o leitor, não deve ser coisa boa, mas é um sonho de criança. Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar… Tô me guardando pra quando o Carnaval chegar.

That’s all folks! (Ou “isso é tudo, pessoal” para quem assistia aos desenhos da Warner, que por sinal possuem ótimas trilhas sonoras). E assim iniciamos mais um ano, de Pernalonga a Titãs, passando por Assis Valente e Chico Buarque, várias sugestões de playlist para quem teve, assim como eu, as férias assassinadas.

Para de ler e vai trabalhar, vagabundo. Vai trabalhar, criatura!