Nunca fui dado às crenças, nenhuma delas, das satânicas às budistas. Parece qualquer coisa mentirosa (?), tenho aquela imagem de que sempre há por trás do altruísmo religioso alguém que ganha alguma coisa: dinheiro, talvez. Deve ser a imagem de pastores fornecendo máquina de cartão de crédito para os fiéis comprarem seus espaços no reino sagrado que embaralhou minha cabeça.

Claro que religiões e seitas vão além de passar rasteiras em seus adeptos, talvez isso seja a minoria também, não tenho propriedade para falar. Mas vou além. Não acho só isso, não consigo me confortar com palavras, gestos, figuras, rezas, estas coisas que confortam. É um mundo mágico, tão distante da realidade como Harry Potter ou Game of Thrones. Aos religiosos isto deve soar tão mal quanto uma música do Gustavo Lima. Não quero ofender, também não quero me defender, tampouco me justificar. Só deus pode me julgar.

Mas há uma coisa. Não sei dizer se é transcendente, mas é uma coisa que me deixa diferente, mais calmo e sereno. O primeiro mergulho toda vez que entro no mar. Há uma regra, no entanto, como todas as crendices: só vale para o primeiro mergulho do dia, se eu for 365 dias, serão 365 dias serenos. Não posso confirmar essa regra, mas quem confirmou que Jesus ressuscitou? Hein?!

Bom, que não sou de louvar ninguém está claro, porém se fosse para fazê-lo, acho que escolheria Iemanjá ou Janaína, como quiser. E hoje é dia de Iemanjá. E Dorival Caymmi compôs música para ela e todo ano quando olho no calendário e lá marca dia 2 de fevereiro, lembro: “Dia dois de fevereiro/ dia de festa no mar/ e eu quero ser o primeiro/ a saudar Iemanjá”.

Embora eu nunca esteja no mar dia dois, saúdo a divindade que me dá paz quando mergulho, exceto naqueles em que a água é gélida.

Gosto de pensar em músicas e datas, pena que 13 de maio não cairá numa segunda para eu falar da música do Caetano ou que 25 de abril – data da Revolução dos Cravos – também não cairá numa segunda para falar de “Tanto mar”, do Chico Buarque.

É isso, chegou, chegou, chegou, afinal que o dia dela chegou.