Parei para reler todos os textos que escrevi até hoje para o Curitiba Cult e fiquei meio ressabiado. Quase todos de alguma maneira se relacionam com Chico Buarque e Caetano Veloso. Que triste. Que feio. Até parece que nossa música gira em torno dos septuagenários músicos. Na verdade parece que eu giro em torno deles. Nem uma nem outra são verdadeiras.

Como cantou Milton Nascimento, “o Brasil não é só litoral, é muito mais que qualquer zona sul”. E a MPB não é caetanobuarqueana(!). Claro que ao falar na nossa música popular há nomes dos quais não tem como fugir, nem escapar. O próprio Milton é um deles. Ah, ele…

Poderíamos defini-lo só com frases que muitos o definiram. Mas querer definir Milton Nascimento seria uma pachorra, esta é a minha frase piegas para ele. As frases, no entanto, vão além da pieguice. Elis Regina certa vez disse que “se Deus cantasse, seria com a voz do Milton”. “Meu Yauaretê, minha onça verdadeira. Você é o rei da floresta, rei da mata brasileira, meu taquaraçu de espinho, meu carioca mineiro, meu amor e meu carinho, Uirapurú verdadeiro. O amador de passarinho”, obra do maestro soberano Tom Jobim, que dedicou estas palavras ao “carioca mineiro”.

Dorival Caymmi afirmou: “Nunca encontrei ninguém que tivesse por ele um sentimento amargo. Discreto, Milton foi se fazendo famoso sem nunca colocar a carapuça de rei”. Nada teria a ver com sua música, Caymmi dá um traço da personalidade de Milton, mas a pessoa reflete o artista e sua arte. Nunca vestiu a carapuça de rei e compôs coisas nobres. Quero eu deixar aqui uma lista de nobres músicas miltonnascimentonianas(!), porém a cada uma lembro-me de outra.

Ele foi um dos responsáveis pelo Clube da Esquina, que sempre figura nestas listas idiotas de melhores álbuns da música brasileira, que nem são tão idiotas assim, afinal reconheceram este belíssimo álbum.

Entre os íntimos, Milton é Bituca. E para não terminar um texto sem falar de Chico ou de Caetano, cito a frase de Chico Buarque: “Bituca manda em mim”.