Maria Bethânia é dona de uma das mais valiosas vozes do Brasil. Entrou para o universo artístico em 1963, a atuar na peça “Boca de ouro”, escrita por Nelson Rodrigues, dirigida por Alvinho Guimarães e musicada pelo seu irmão, Caetano Veloso.

Em 1965 as portas se abriram para Bethânia. Nara Leão, a musa da Bossa Nova, convidou-a para o espetáculo “Opinião”, apresentado no Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, com direção musical de Dori Caymmi e direção de Augusto Boal. Quando Bethânia soltou a voz e gritou Carcará, foi um estrondo, foi a confirmação de Nara Leão, que a conhecera um ano antes na Bahia.

No mesmo ano, Bethânia gravou seu primeiro disco, um compacto simples que trazia “Carcará” e a primeira composição registrada de Caetano Veloso, “É de manhã”. Depois, no mesmo ano, lançou um compacto duplo, seguido do seu primeiro LP, “Maria Bethânia”.

Porém, ela estava deveras vinculada à imagem de cantora de protesto, devido ao show “Opinião”, mas já estava em outra, queria saber de cantar outras palavras. Em 1967, a convite de Edu Lobo, gravou o LP “Edu Lobo e Maria Bethânia”. Todos reconheciam seu vozerão: novinha, mas com voz firme.

Em 1971 já estava em turnê pela Europa, apresentando-se em Cannes e no Teatro Sistina, na Itália. Em 1976 recebeu seu primeiro Disco de Ouro com o LP “Pássaro Proibido”. No mesmo ano formou o grupo Os Doces Bárbaros, ao lado de Gilberto Gil, Gal Costa e Caetano Veloso. Em 1977, já com dois Discos de Ouro, era uma das cantoras que mais vendia disco no Brasil.

Hoje os álbuns já não vendem tanto, mas não é exclusividade de Bethânia e nem reflexo de uma queda de qualidade do seu trabalho. Ao contrário. Recentemente até se lançou nas composições e se revelou uma ótima compositora. Maria Bethânia perpetua-se como uma das mais importantes cantoras da música brasileira.