Beckett

Foto: reprodução

Há exatamente vinte cinco anos morria Samuel Beckett, craque da literatura, editado pelo francês Jérôme Lindon, diretor da Édition de Minuit, referência de editora no mundo. Por lá passaram Marguerite Duras, Pierre Bourdieu, Gilles Deleuze e muitos outros. Beckett disse uma vez que “A obra de Joyce não é sobre algo – ela é o algo em si”. Li essa frase na contracapa do ‘Retrato do artista quando jovem’ e sempre achei que poderia usá-la como introdução de uma coluna até que alguma música me despertasse este sentimento de algo em si.

Mas buscar o algo em si da música brasileira não exige demasiado esforço. Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim é o algo em si. Basta lembrar o III Festival Internacional da Canção. Tom, para fugir da delicada função de jurado. resolveu fazer uma música. Saiu Gávea. Depois da letra de Chico, tornou-se Sabiá, uma nova Canção do Exílio. A massa ignorante e inflamada no ano de 1968 queria saber apenas das lutas contra a ditadura, contra a repressão, contra o sistema, contra o regime, contra tudo, contra todos. Competir com Vandré tornou-se desleal. As pessoas ansiavam revolução. Disseram que a música de Tom com a letra de Chico era alienante. Alienante, cara pálida? E a arte pela arte? A arte não está a todo o momento servindo como ferramenta social.

Mas a massa que clamava por liberdade queria uma música que refletisse a ocasião, queria caminhar e cantar e seguir a canção. Queria uma canção que falasse sobre algo, naquela altura não tinha sensibilidade para perceber o algo em si que é Tom Jobim.