“Vai partir. Vai que é sua Taffarel! Partiu, bateu, CABÔÔÔÔÔÔÔÔÔ, CABÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ, ACABOOOOOOOOU!!! É TETRA! É TETRA! É TETRAAAAAAAAAAAA! O BRASIL É TETRA CAMPEÃO MUNDIAL DE FUTEBOOOOOOOL!!”

Quem estava nascido na Copa do Mundo de 1994 provavelmente ouviu da televisão esses berros vindos de Galvão Bueno após a cobrança decisiva de Roberto Baggio. O próprio narrador disse que esse foi o “gol” mais importante de sua carreira. Justamente uma bola que não entrou.

Um ano depois das emoções desse mundial terem sacudido a torcida brasileira, era lançado nos cinemas o filme oficial daquela Copa. Dirigido pelo brasileiro Murilo Salles (que também dirigiu Dona Flor e Seus Dois Maridos), Todos os Corações do Mundo faz um recorte diferente de vários documentários sobre futebol.

Antes de falar do filme, permitam-me abrir um parêntese. Foi minha primeira experiência no cinema depois de muito tempo (lembram da primeira coluna e da Branca de Neve? Quem não leu, veja aqui). Tinha 12 para 13 anos de idade. E nunca tinha visto futebol no cinema. Podem imaginar minha cara de embasbacado no cinema do Shopping Itália.

E em 1994 comecei uma mania/superstição que me acompanha em decisões por pênaltis com a seleção em Copas do Mundo. Após o apito final na prorrogação, fico de joelhos e só saio do chão ao final das cobranças. Deu certo no tetra, contra a Holanda quatro anos mais tarde e, mais recentemente, contra o Chile.

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Toda disputa de pênaltis na Copa do Mundo é esse sofrimento. Foto: arquivo pessoal

Fechando o parêntese e voltando à coluna. O filme fala do que rolou de principal naquela Copa? Sim. Mas traz um olhar diferente, novo sobre o que havia se visto até então neste gênero, em se tratando de futebol. Até pelo modo que ele começa.

A décima quinta Copa do Mundo foi realizada nos Estados Unidos, um país que é fã de outro tipo de futebol. Com outra bola e outras regras. E a primeira pergunta que se faz no filme para cidadãos americanos é: o que você sabe sobre a Copa do Mundo? A própria pergunta é um convite ao espectador a viajar pelos próximos 100 minutos pelas histórias, torcidas e personagens daquela competição marcante.

O filme seduz os amantes de futebol em diversos aspectos. A forma diferente de rever um lance, reviver a emoção de uma partida com um colorido especial. E até quem não gosta do esporte também se sente atraído. Tudo porque o casamento entre lances dos jogos e a trilha de fundo é um dos mais perfeitos que já vi neste tipo de filme.

Para vocês terem um gostinho, deixo com vocês apenas o “filé mignon” do documentário. Os dez minutos dedicados à decisão. Vejam e digam se não é de arrepiar.